COMO JEJUAR

 


O Jejum pode ter as durações:                  

-24 horas                      

-12 horas


Pode ser de várias formas:                         

- sem nenhum alimento [sempre com água]                                             

-apenas com líquidos [água e sucos] sucos]                                    

-com frutas

Obs. o jejum original é a primeira situação; as outras duas são para pessoas com limitações fisiológicas (pressão baixa, diabetes por baixa glicose etc)


Pode ser em qualquer dia da semana:

-não precisa ser no sábado                            -pode ser uma vez por semana, mês ou ano


Pode ser pulando 1, 2 ou 3 refeições:

-Jejum 24hs – começando após o almoço – pulando janta e café; quebrando o jejum no almoço do dia imediato.

          

-Jejum 24hs – começando após a janta – pulando o café e almoço; quebrando o jejum na janta do dia imediato.

-Jejum 12hs – começando após o café – pulando apenas o almoço; quebrando o jejum na janta do mesmo dia.


O objetivo do jejum é que a mente esteja livre da digestão e mais acessível a Deus. Isso inclui estar em um lugar tranquilo e  com disposição para orar e ler a Bíblia.


JEJUM NÃO É PENITÊNCIA.

 Após o jejum, principalmente os mais longos [24h] ao voltar a comer, faça isto com alimentos leves, líquidos, mornos e salgado – uma sopa ou alimentos pastosos. Se você comer alimentos de difícil digestão e em muita quantidade, pode sentir dor no estômago e mal estar.


O Jejum tem seu valor para a saúde.           Além de ajudar a perder peso, também ajuda ao intestino, fortalece o sistema imune, memória e cérebro. Favorece no tratamento do câncer e doenças auto-imunes. 


Pessoas com diabetes e problemas de pressão devem consultar o médico antes.


O Jejum bíblico fazia parte da Festa do Dia da Expiação [Isaías 58:3, 13 e 14] e era usado para ‘afligir a alma’ [Levítico 23:32]. O povo se humilhava, confessando os pecados em tristeza e arrependimento.        


O jejum expressa essa tristeza, em se abster do alimento [algo prazeroso] para se voltar a Deus e alcançar Sua benção.

Jejum na Bíblia: propósito, prática e resultados espirituais

O jejum ocupa um lugar importante na experiência religiosa apresentada pelas Escrituras. Patriarcas, profetas, reis, sacerdotes, discípulos e o próprio Jesus jejuaram em momentos de consagração, arrependimento, crise e busca da vontade divina. 

Entretanto, a Bíblia não apresenta o jejum como um método para obrigar Deus a agir, conquistar méritos espirituais ou demonstrar superioridade religiosa. 

O verdadeiro jejum é uma expressão exterior de uma disposição interior: a alma reconhece sua necessidade de Deus e coloca temporariamente as necessidades físicas em segundo plano para dedicar-se mais intensamente à oração e à comunhão com Ele.

O que é o jejum?

No sentido mais comum das Escrituras, jejuar significa abster-se voluntariamente de alimento durante determinado período com uma finalidade espiritual. A ideia básica é humilhar-se diante de Deus, concentrar-se na oração, buscar orientação e manifestar arrependimento ou profunda dependência.

No Antigo Testamento, o verbo hebraico relacionado ao jejum é tsum, que significa abster-se de alimento. No Novo Testamento, o verbo grego nēsteuō possui o mesmo sentido fundamental: permanecer sem comer por determinado período.

O jejum bíblico geralmente envolvia a abstinência de alimentos, enquanto a pessoa continuava tomando água. Em ocasiões extraordinárias, houve jejum completo, sem comida e sem água, como no caso dos judeus ameaçados de extermínio no tempo de Ester: “Não comam nem bebam durante três dias, nem de noite nem de dia” (Ester 4:16). Contudo, jejuns dessa natureza foram excepcionais e não devem ser praticados de maneira imprudente.

Moisés permaneceu quarenta dias sem comer nem beber na presença de Deus (Êxodo 34:28), e Jesus jejuou quarenta dias no deserto (Mateus 4:2). Esses episódios possuem caráter extraordinário e não devem ser considerados modelos comuns de duração.

Também encontramos exemplos de abstinência parcial. Daniel passou três semanas sem comer alimentos desejáveis, carne ou vinho (Daniel 10:2-3). Embora o texto não utilize essa experiência como uma fórmula universal, ela demonstra que alguém pode abrir mão temporariamente de determinados prazeres alimentares para dedicar-se mais intensamente à busca de Deus.

Portanto, o jejum não é simplesmente deixar de comer. Se não houver oração, reflexão, arrependimento e busca espiritual, haverá apenas abstinência alimentar.

Para que serve o jejum?

O jejum serve, primeiramente, para expressar humildade e dependência diante de Deus. Esdras proclamou um jejum junto ao rio Aava para que o povo se humilhasse e buscasse de Deus proteção para a viagem: “Ali, junto ao rio Aava, proclamei um jejum, para nos humilharmos diante do nosso Deus” (Esdras 8:21).

O jejum também acompanha a oração em momentos de grande necessidade. Quando Judá foi ameaçado por um exército numeroso, Josafá proclamou um jejum nacional, e o povo se reuniu para buscar o Senhor (2 Crônicas 20:3-4). O objetivo não era manipular Deus, mas confessar que os recursos humanos eram insuficientes: “Não sabemos nós o que fazer; porém os nossos olhos estão postos em ti” (2 Crônicas 20:12).

Outra finalidade é manifestar arrependimento. Ao ouvir a mensagem de Jonas, os habitantes de Nínive proclamaram um jejum e abandonaram seus maus caminhos (Jonas 3:5-10). O jejum, nesse caso, não substituiu a mudança de comportamento; ele acompanhou uma decisão verdadeira de arrependimento.

O jejum também aparece ligado à busca de orientação espiritual. Antes de separar Barnabé e Saulo para a missão, a igreja de Antioquia adorou, jejuou e orou (Atos 13:2-3). Posteriormente, Paulo e Barnabé, ao escolherem líderes para as igrejas, fizeram isso “com orações e jejuns” (Atos 14:23).

Assim, o jejum pode acompanhar:

  • A busca por maior comunhão com Deus;
  • O arrependimento e a confissão;
  • A oração por proteção e livramento;
  • A tomada de decisões importantes;
  • A intercessão por outras pessoas;
  • A consagração para uma missão;
  • A preparação para enfrentar tentações ou crises.

O jejum não muda o caráter de Deus, mas pode mudar a disposição daquele que ora. Ele reduz as distrações, revela dependências e ajuda a pessoa a reconhecer que sua vida não é sustentada apenas pelo alimento: “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mateus 4:4).

Como deve ser o jejum?

Jesus ensinou que o jejum deve ser praticado com sinceridade, discrição e sem ostentação religiosa. Ele advertiu:

“Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam” (Mateus 6:16).

Observe-se que Jesus disse “quando jejuardes”, e não “se jejuardes”. Ele reconhecia que o jejum continuaria presente na vida de Seus seguidores. Porém, condenou a prática realizada para conquistar admiração pública. O verdadeiro jejum é dirigido a Deus, não ao olhar das pessoas.

Jesus recomendou que aquele que jejua cuidasse de sua aparência normalmente, para que sua prática permanecesse, tanto quanto possível, entre ele e Deus (Mateus 6:17-18). Isso não significa que todo jejum coletivo seja errado, pois a Bíblia registra jejuns públicos legítimos. A condenação recai sobre a exibição religiosa e a busca de elogios.

O jejum deve estar acompanhado de oração. Antes de começar, é conveniente estabelecer seu propósito espiritual. Durante o período destinado às refeições, a pessoa pode orar, ler as Escrituras, confessar pecados, interceder e meditar. Depois do jejum, deve retomar a alimentação com equilíbrio e gratidão.

A duração não determina o valor espiritual. A Bíblia menciona jejuns de parte de um dia, de um dia, de três dias, de sete dias e períodos mais longos. O valor não está no sofrimento provocado, mas na sinceridade da consagração.

Também é necessário respeitar os limites físicos. Pessoas com diabetes, gestantes, idosos frágeis, crianças, indivíduos com transtornos alimentares ou aqueles que utilizam medicamentos que dependem da alimentação não devem realizar jejuns alimentares sem orientação profissional. Deus não é honrado pela negligência irresponsável da saúde.

O verdadeiro jejum envolve mudança de vida

Isaías 58 apresenta uma das explicações mais importantes da Bíblia sobre o jejum. O povo jejuava, mas continuava vivendo em conflitos, exploração e injustiça. Por isso, Deus perguntou:

“Seria este o jejum que escolhi, que o homem um dia aflija a sua alma?” (Isaías 58:5).

Em seguida, Deus descreveu o jejum que Lhe agradava: romper as cadeias da injustiça, libertar os oprimidos, repartir o pão com o faminto, acolher o necessitado e vestir o que estava sem roupa (Isaías 58:6-7).

Isso não significa que a abstinência de alimentos seja desnecessária. Significa que ela perde seu sentido quando não produz misericórdia, justiça e transformação moral. O homem não pode deixar de comer por algumas horas enquanto continua alimentando orgulho, violência, avareza e opressão.

O verdadeiro jejum deve alcançar não apenas o estômago, mas também o caráter. É preciso jejuar da maldade, da mentira, da sensualidade, da ira, da vingança e do egoísmo. A abstinência alimentar deve ser um sinal de uma entrega mais profunda.

Qual é o resultado do jejum?

O resultado do jejum não é automático. A Bíblia não promete que toda pessoa que jejua receberá exatamente aquilo que pediu. Deus continua soberano e responde segundo Sua vontade. Davi jejuou pela vida de seu filho, mas a criança morreu (2 Samuel 12:16-23). Esse episódio demonstra que o jejum não é uma técnica para controlar a decisão divina.

Entretanto, quando praticado com fé e sinceridade, o jejum pode produzir importantes resultados espirituais. Ele conduz à humildade, aprofunda a oração, fortalece o domínio próprio, favorece a confissão, aumenta a sensibilidade espiritual e prepara o coração para obedecer.

Em algumas ocasiões, Deus respondeu ao jejum concedendo livramento. Josafá e Judá buscaram o Senhor e foram libertos da ameaça inimiga (2 Crônicas 20:3-22). Esdras e seus companheiros jejuaram pedindo proteção, e Deus os guardou durante a viagem (Esdras 8:21-23,31). Nínive jejuou, arrependeu-se, abandonou a violência e foi poupada do juízo anunciado (Jonas 3:5-10).

Isaías descreve os resultados do jejum acompanhado de justiça e misericórdia:

“Então romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença [...] então clamarás, e o Senhor te responderá” (Isaías 58:8-9).

Portanto, o maior resultado do jejum não é conseguir que Deus faça a nossa vontade, mas preparar-nos para conhecer e aceitar a vontade de Deus.

Por que Deus exige o jejum?

A Bíblia precisa ser compreendida com cuidado neste ponto. Deus não estabelece o jejum contínuo como condição para a salvação, nem exige que todos os cristãos jejuem da mesma maneira ou pela mesma duração. A salvação é recebida pela graça mediante a fé, e não por práticas de mortificação corporal (Efésios 2:8-9).

No Dia da Expiação, Israel deveria “afligir a alma” (Levítico 16:29-31; 23:27), expressão tradicionalmente compreendida como humilhação acompanhada de jejum. Era um momento de exame pessoal, arrependimento e solenidade diante do juízo divino.

Jesus também ensinou que Seus discípulos jejuariam depois de Sua partida: “Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar” (Mateus 9:15). Portanto, embora o jejum não seja um meio de salvação, ele faz parte da experiência de consagração dos seguidores de Cristo.

Deus requer a atitude espiritual representada pelo jejum: humildade, arrependimento, dependência, concentração e submissão. O jejum nos lembra de que os desejos do corpo não devem governar a vida. Ao renunciar voluntariamente a algo legítimo, o cristão exercita o domínio próprio e declara que Deus possui prioridade sobre suas necessidades e seus prazeres.

Deus não exige o jejum porque necessita de nosso sofrimento. Ele deseja que reconheçamos nossa insuficiência e aprendamos a depender dEle. O jejum não compra o favor divino; ele cria espaço para que a alma se volte com maior atenção ao Deus que já oferece Sua graça.

Conclusão

O jejum bíblico é uma disciplina de humildade, oração e consagração. Ele não deve ser usado para impressionar pessoas, conquistar méritos, punir o corpo ou pressionar Deus. Sua finalidade é silenciar temporariamente os apetites e as distrações para que o coração escute com maior atenção a voz divina.

Quando acompanhado de arrependimento, justiça, misericórdia e obediência, o jejum fortalece a vida espiritual. Contudo, quando praticado sem transformação de caráter, torna-se apenas um ritual vazio.

O verdadeiro jejum não pergunta apenas: “De quanto alimento devo me abster?”, mas principalmente: “Que pecado preciso abandonar, que vontade devo entregar e que necessidade humana Deus deseja que eu atenda?”

“Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes” (Joel 2:12-13).

O JEJUM E A ORAÇÃO

 

Jesus recomendou o jejum e a oração para determinadas situações espirituais desafiantes (Mc 9:29). E esse é o caso do jejum e a oração nos dias que antecedem um evangelismo.

“Para certas coisas oração e jejum são recomendáveis e apropriados. Na mão de Deus são um meio de purificar o coração e promover uma disposição mental receptiva. Obtemos resposta a nossas orações, porque humilhamos a nossa alma diante de Deus”. MS 283.1

Jejum não é penitência

O jejum não irá mudar a Deus mas mudar o ser humano. Não é um flagelo ao corpo, um sofrimento que impomos para, supostamente agradar a Deus. Jejum não é nada disso.

Apesar de no Dia do Jejum, Deus usar a expressão – “afligireis vossa alma” Lv 23:27; essa aflição era espiritual, em postura de humilhação, arrependimento e confissão. Esses são elementos que devem existir durante o jejum e a oração.

Mas o jejum é uma prática espiritual de ‘negação do eu’, negação dos desejos e prazeres. No jejum nos submetemos a Deus e fazemos morrer nosso apetite. É uma subjugação da natureza pecaminosa. Mas nunca um penitencia, para conseguir algo através do sofrimento do corpo.

Jejum modela a mente e o espírito

O jejum possui um aspecto fisiológico que clarifica os pensamentos e aprimora o espírito humano para se comunicar melhor com Deus.

O livro Conselhos sobre o Regime Alimentar declara – “O espírito do verdadeiro jejum e oração é o espírito que rende a Deus mente, coração e vontade”. CRA 189.2

Jejum habilita o crente

Assim como Jesus foi habilitado em seu jejum no deserto, nós seremos habilitados para a obra em nossas igrejas. “Aquele longo jejum do Salvador fortaleceu-O para resistir”. CRA 186.1 A nós será dado persuadir, encaminhar almas, conquistar pessoas ao reino de Deus.

“Agora e daqui por diante até ao fim do tempo, deve o povo de Deus ser mais fervoroso, mais desperto... Devem pôr de parte dias de jejum e oração”. CRA 188.4

Jejum na prática

Jejuar por si só não produz algum resultado. O Jejum deve ser acompanhado de ouvir a Palavra de Deus (ler a Bíblia) e em falar com Deus (oração). Enquanto você estiver jejuando, procure orar mais vezes.

No caso de jejum e oração para um evangelismo, ore pelas pessoas, mencione o nome delas, suplique o sangue de Jesus sobre elas, peça que a justiça de Jesus cubra essas pessoas, e que o Espírito Santo as convença.

Orações inteligentes e específicas são o argumento que Jesus precisa no Santuário Celestial.

Conclusão

O jejum e a oração são experiências gêmeas, devem andar juntos. Jejuar nos habilitará a falar melhor com Deus, e ouvir com clareza Sua vontade. Essa prática, do jejum, clarifica os pensamentos, subjuga a vontade e nega os desejos maus.

Jejuar e orar é a fórmula de Jesus para os desafios espirituais, e no caso, para dar sucesso ao nos aproximarmos das pessoas e encaminha-las à Verdade ou a Cristo.

Leia também: 

JEJUM BÍBLICO

COMO JEJUAR


O DOM DE LÍNGUAS DE CORINTO

 

O contexto histórico da cidade de Corinto

Na Corinto do primeiro século, experiências místicas, como profecia e fala em êxtase, eram comuns nas religiões gregas e romanas. Essas experiências muitas vezes estavam associadas a possessão divina, aos cultos de mistério e aos oráculos. 

O Oráculo de Delfos, um dos locais religiosos mais famosos da Grécia, contava com uma sacerdotisa (Pítia) que entrava em um estado semelhante a um transe, no qual se acreditava que era possuída pelo deus grego Apolo. Nesse estado, ela pronunciava mensagens em êxtase e enigmáticas, que eram depois interpretadas pelos sacerdotes. 

Outros templos, como o Oráculo de Dodona, também praticavam profecias, nas quais sacerdotes ou sacerdotisas recebiam mensagens divinas por meio de manifestações naturais (vento, farfalhar das folhas, etc.). Esse tipo de fala em êxtase era considerado um sinal do favor divino e de discernimento espiritual, de modo semelhante à forma como alguns coríntios viam o falar em línguas.

Os cultos de mistério, como os de Dionísio (Baco), Cibele e Ísis, envolviam rituais, música e adoração frenética que frequentemente levavam a estados de transe, êxtases emocionais e à percepção de comunicação com os deuses. No culto dionisíaco, os adoradores participavam de danças extáticas e cânticos, acreditando estar cheios da presença do deus. A

lguns estudiosos sugerem que certos cristãos de Corinto, influenciados por essas tradições, talvez associassem os dons espirituais, como o falar em línguas e a profecia, a experiências extáticas semelhantes. Essa mentalidade provavelmente contribuiu para as divisões na igreja de Corinto, pois alguns crentes se consideravam mais “espirituais” com base em seus dons. Paulo desafia essa ideia ao enfatizar que todos os dons vêm do mesmo Espírito (1Co 12:4-11) e existem para o benefício de toda a igreja, não para a elevação do status individual.

Dons Espirituais para indivíduos espirituais

Paulo introduz um novo assunto em 1 Coríntios 12:1 com a expressão “a respeito dos dons espirituais”. Marcadores semelhantes de um novo tema podem ser encontrados em 1 Coríntios 7:1, 25; 8:1; 16:1, 12. O termo grego pneumatikon é um adjetivo no plural que significa “espirituais” e pode designar tanto “coisas espirituais” quanto “pessoas espirituais”. O apóstolo se preocupa com os membros da igreja de Corinto e sua percepção distorcida de si mesmos como “espirituais” (1Co 14:37). “Havia o perigo (e, em alguns casos, uma realidade) de as pessoas alegarem ter um status espiritual mais elevado dentro da comunidade, o que criava uma estratificação entre os crentes. 

Paulo rejeita esse tipo de mentalidade” (“1 Coríntios”, em Comentário Bíblico Andrews, [CPB, 2025] p. 191, 192). Em vez de focar os dons, Paulo lembra sua audiência de que devem se alegrar quando o Espírito de Deus os convence a confessar Jesus como seu Salvador (1Co 12:3). Ninguém verdadeiramente guiado pelo Espírito pode amaldiçoar a Jesus. Nesse sentido, todos os crentes são “espirituais”, em virtude da confissão cristã fundamental de que Jesus é o Senhor.

Um Espírito, muitos dons

Antes de detalhar os diferentes dons espirituais, Paulo faz uma afirmação em 1 Coríntios 12:4 a 6 que inclui todos os membros da Divindade, destacando a diversidade de dons concedidos pelo Espírito, a diversidade de serviços concedidos pelo Senhor (isto é, Jesus) e a diversidade de atividades concedidas pelo “mesmo Deus [que] é quem opera tudo em todos” (1Co 12:6). A sequência, portanto, é Espírito-Filho-Pai. Assim, a unidade da Divindade se torna a matriz ou o exemplo contra o qual a igreja de Corinto, frequentemente dividida, poderia medir a si mesma.

Paulo lembra seus leitores de que o primeiro dom que Deus concede a todos os crentes é a confissão de fé de que “Jesus é o Senhor” (1Co 12:2, 3). Essa crença está em harmonia com a declaração de Jesus em João 6:44: “Ninguém pode vir a Mim se o Pai, que Me enviou, não o trouxer”. Embora tenhamos sido dotados de liberdade para escolher, é necessário que sejamos atraídos pelo Espírito (ou pelo Pai) para dar o primeiro passo de fé em direção a Jesus.

Paulo então continua a descrever a diversidade dos dons espirituais, bem como os ministérios e atividades dentro da comunidade cristã (1Co 12:4-11). “Paulo explica que os dons do Espírito Santo são dados para o benefício de toda a igreja (12:7)” (“1 Coríntios”, em Comentário Bíblico Andrews [CPB, 2025], p. 192). Assim, os dons não são sinal de domínio ou superioridade espiritual, mas símbolos da graça de Deus que nos capacita a servir uns aos outros e também ao mundo ao nosso redor. 

Os vários dons descritos no capítulo (incluindo capacitações espirituais ligadas à sabedoria e ao conhecimento, curas ou a realização de milagres, discurso profético, discernimento espiritual, línguas e outros) são todos dados para abençoar a comunidade dos crentes. Nenhum dos dons deve ser considerado superior ou mais importante do que outro.

O corpo de Cristo – uma ideia radical

A metáfora de Paulo da igreja como um corpo (1Co 12:12-27) era contracultural. Na sociedade romana, a classe social e o status eram rígidos, com os ricos e poderosos no topo. A ideia de que cada membro da igreja – rico ou pobre, escravo ou livre, homem ou mulher – tinha o mesmo valor era revolucionária. Paulo enfatiza que, em Cristo, todos os crentes estão interligados e devem honrar uns aos outros, rejeitando a hierarquia do mundo.

Como observa o estudioso do Novo Testamento Jason Staples: “Paulo leva essa imagem um passo além de seu sentido metafórico ou analógico usual. Para o apóstolo, o ‘corpo de Cristo’ não é apenas uma metáfora para indivíduos unidos pela fé em Jesus, mas uma realidade ontológica e relacional na qual as pessoas, recebendo o ‘Espírito de Cristo’ (Rm 8:9), tornam-se incorporadas ao próprio Cristo. Os crentes de fato se tornam o ‘corpo de Cristo’ ao serem ‘batizados em um só corpo por um só Espírito’ (1Co 12:13)” (Staples, “Body of Christ” em Dictionary of Paul and His Letters [Downers Grove, IL: IVP Academic, 2023], p. 83).

O uso da metáfora do corpo destaca a unidade da comunidade, mas também a unidade da igreja com o seu Senhor, especialmente à luz do fato de que Cristo é a cabeça do corpo (Cl 1:18; Ef 4:15). Nesse sentido, o corpo não é, em primeiro lugar, um corpo de crentes, mas o corpo de Cristo; ou seja, o foco principal da metáfora é a união dos crentes com Cristo.

Como Paulo descreve no capítulo, isso significa que distinções étnicas, de gênero e de status social são irrelevantes para a inclusão no corpo de Cristo. Essa ideia não era apenas contracultural, mas também subversiva e perigosa para a sociedade greco-romana, na qual status, poder, vergonha, honra e também gênero exerciam papéis de enorme importância.

Observe o seguinte exemplo apresentado pelo estudioso do Novo Testamento Philip Ryken sobre percepções de hierarquia, status e gênero no mundo da igreja apostólica: “Considere a oração, às vezes atribuída a Sócrates, em que um homem grego agradecia a Deus ‘por ter nascido um ser humano e não uma besta; depois, um homem e não uma mulher; e, por fim, um grego e não um bárbaro’. Os pagãos, em geral, desprezavam seus escravos e maltratavam suas mulheres. Em alguns lugares, os escravos eram proibidos de entrar nos templos pagãos, enquanto as mulheres eram tratadas como propriedade” (Philip Graham Ryken, GalatiansReformed Expository Commentary [Phillipsburg, NJ: P&R Publishing, 2005], p. 148). É evidente que a mensagem de Paulo à igreja de Corinto era contracultural.

Conclusão

Nossa tendência humana é colocar em ordem hierárquica os dons que Deus concedeu à igreja como corpo de Cristo. Paulo apresenta a metáfora do corpo e de seus membros para ajudar seus leitores a focarem a unidade e a missão. Os membros do corpo, escreve ele, não podem sobressair por si mesmos. Na verdade, não podem sequer sobreviver sozinhos. O olho precisa da pálpebra; a cabeça precisa do pescoço; o pé precisa das pernas; e todos dependem do coração para receber oxigênio e sangue suficientes.

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