O vídeo acima
de um pastor argumentando com um membro leigo adventista, trouxe mais desculpas
para não se guardar o sábado bíblico. Essa postagem tem o objetivo de responder
os argumentos desse pastor, mas de forma bíblica.
O primeiro
argumento
O
pastor começa o seu argumento dizendo – “eu vejo que o sábado...”. Aqui reside
o problema da maioria dos argumentos contra o sábado; são interpretações
individuais.
O sábado é mencionado mais de 160 vezes na Bíblia e o primeiro dia
da semana, o domingo, é mencionado apenas 8 vezes, no relato da ressurreição,
mas nesses oito textos nenhum deles santifica esse dia pelo fato de Jesus ter
ressuscitado nele.
A leitura individual
desse pastor já começa com o erro de fazer distinção do AT e NT. Para ele o
sábado no AT é Lei, e no NT apesar de ser lei, não seria absoluto. Mas esse é
um grande equívoco dividir a revelação da Palavra de Deus em Antigo e Novo.
Essa divisão é humana, e foi feita para fins didáticos, mas se tronou uma
tradição teológica.
A própria
Bíblia declara de si mesma – “Toda a escritura é divinamente inspirada por Deus
e útil para ensino...” 2Timoteo 3:16. Quando Paulo escreveu “toda escritura” só
existiam o evangelho de Marcos, e algumas cartas de Paulo como sendo o NT.
Paulo se referia ao “todo” da escritura basicamente incluindo o AT.
O que o AT ensina
sobre o sábado – sua santidade, e mandamento literal a ser guardado, é
mandamento da mesma forma no NT.
O segundo
argumento
O pastor segue
dizendo que “o sábado é lei mas não absoluto”, e assim contradiz o próprio
Jesus em seus ensino. A mulher adventista argumentou muito bem lembrando Mateus
5:17-19 “Não pensem que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar,
mas para cumprir. Porque em
verdade lhes digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais
passará da Lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois,
que desrespeitar um destes mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os
outros a fazer o mesmo, será considerado mínimo no Reino dos Céus; aquele,
porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no Reino dos
Céus”.
O sábado não
mudou nem um “i” e nem um “til”. O sétimo dia deve ser observado exatamente
como está em Êxodo 20:8-11 – “Lembre-se do dia de sábado, para o santificar. Seis
dias você trabalhará e fará toda a sua obra, mas o sétimo dia é o sábado
dedicado ao Senhor, seu Deus. Não faça nenhum trabalho nesse dia, nem você, nem
o seu filho, nem a sua filha, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu
animal, nem o estrangeiro das suas portas para dentro. Porque em seis dias o
Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia,
descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou” Êxodo
20:8b-11.
Jesus guardou o
sábado estritamente como está no mandamento que Ele mesmo havia escrito como sua
própria letra (Êxodo 31:18). O que Jesus não fez foi obedecer aos mandamentos rabínicos
que proibiam cura, se alimentar, carregar, andar livremente, cuidar de animais etc.
A Hallakah era a
tradição oral dos rabis, que comentava a lei, e estipulava “mandamentos” para
que o sábado não fosse transgredido. Eram essas imposições rabínicas que Jesus
combatia e não seguia.
Jesus disse
sobre essas regras rabínicas que eram impostas ao povo – “E em vão me adoram,
ensinando doutrinas que são preceitos humanos. "Rejeitando o mandamento de
Deus, vocês guardam a tradição humana. E disse-lhes ainda: — Vocês sempre
encontram uma maneira de rejeitar o mandamento de Deus para guardarem a própria
tradição” Marcos 7:7-9.
O que o pastor
argumenta como razão de que Jesus não teria guardado absolutamente o sábado,
mas relativizado essa guarda, são referências a regras rabínicas, e não ao
mandamento em si. O pastor talvez desconheça as regras rabínicas que existiam
como tradição oral, e que mais tarde se tornaram a Mishnah, o comentário
escrito da lei, feito pelos rabis.
O pastor cita
um argumento de Jesus – “vocês não leram na Lei que, aos sábados, os sacerdotes
no templo profanam o sábado e ficam sem culpa?” Mateus 12:5b.
Davi, os
sacerdotes e os discípulos prestavam serviço ligado a uma obra comissionada por
Deus. O serviço era sagrado e estava compatível com a santidade do sábado –
esse é o argumento de Jesus.
Isso não era
uma licença geral para ignorar a lei: o argumento diz respeito à missão de
Jesus e à necessidade dos discípulos nesse contexto.
A Torá (Lei)
ordenava serviços do templo no sábado; esses serviços eram considerados
legítimos. Jesus então invoca o templo e afirma que ali está alguém “maior que
o templo” (Mt 12:6). Se o serviço sacerdotal no sábado era permitido, o serviço
ligado à missão de Jesus também não devia ser condenado como profanação. No
caso concreto, os discípulos sequer estavam realizando uma colheita: apenas
pegavam o que comeriam. Novamante as regras rabínicas proibiam descarcar,
debulhar etc, mas o mandamento de Êxodo 20 restringe o trabalho, e não as ações
para se alimentar.
Sendo assim o
argumento do pastor do vídeo é falho, e desconhece alguns fundamentos
históricos do texto que ele cita.
Terceiro
argumento
O pastor diz – “Jesus
curou (no sábado) e ficou sem culpa”. Jesus realizou sete curas sabáticas. E várias
dessas curas Jesus explica – “é licito” (Marcos 3:4; Lucas 6:9; Lucas 14:3; Mateus
12:10–13; Lucas 13:15–16). O termo “lícito” é do âmbito da Lei; a lei permitia
a cura. Novamente a discussão de Jesus era sobre as regras rabínicas que
restrinjiam a cura no dia de sábado. Há um episódio sobre esse ponto da regra
rabínica – “O chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado,
disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses
dias para serdes curados e não no sábado.” Lucas 13:14.
Jesus argumenta
que é “lícito”, ou a lei permitia. Não era trabalho e não afetava a lei. Sendo
assim Jesus curou sim no sábado, mas isso não foi argumento contra o próprio
sábado.
Quarto
argumento
O pastor diz – “Ele
disse pra mim, que Ele, Jesus, era o Senhor do sábado”. Jesus é Senhor
do sétimo dia por que Ele, como Criador criou. Jesus redigiu a própria lei e o
quarto mandamento.
Por ser Senhor
do sábado, isso não significa que tenha abolido, modificado, atenuado ou
substituído. O senhorio de Jesus deveria causar reverência e adoração, e não
relativização como esse pastor faz com o mandamento.
Jesus, como
Senhor do sábado estava na Sinagoga aos sábados – “Num sábado, entrou na
sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler” Lucas 4:16b. “E Jesus
foi a Cafarnaum, cidade da Galileia, e os ensinava no sábado” Lucas 4:31.
Será que o
pastor do vídeo está na sua igreja aos sábados como Jesus. Será que o pastor
está ensinando seus membros aos sábados, como era costume de Jesus?
Relativizar o
sábado é atenuar os ensinos e o próprio exemplo de Jesus.
Quinto
argumento
O pastor diz – “O
mesmo Jesus do NT, diz que se eu for até ele eu encontro o shabat”.
Aqui há uma
impropriação teológica por parte do pastor.
Em Gênesis, shabat
destaca a cessação de uma obra concluída. O texto não apresenta Deus se
recuperando de esgotamento: ele contempla uma criação terminada, abençoa o
sétimo dia e o santifica. A ênfase inclui conclusão, bênção e santidade do
tempo.
Já em Mateus, o
descanso é oferecido a quem está cansado e sobrecarregado e acontece no
relacionamento com Jesus: “venham a mim”, “aprendam de mim”, “tomem sobre vocês
o meu jugo” (Mt 11:28–30). É descanso dentro do discipulado, dentro do âmbito da
obra da salvação.
Admitir que
Jesus oferece um descanso Nele, e que isso me exime de descansar no sábado. Ou que a minha fé descansa em Cristo e isso
basta como guardar o sábado, e mirabolismo interpretativo.
Em Cristo há
descanso, mas das obras de salvação. O fato de eu estar salvo em Cristo, pela
fé, através de Sua graça, não exclui a minha obediência de parar de trabalhar
no sábado e santificar esse dia, estando na igreja, adorando a Deus e o louvando.
Sexto argumento
O pastor
continua dizendo – “Hebreus 4 diz que ainda falta um sábado – a vida eterna”.
O carro foi
colocado na frente dos bois. O sábado é sim símbolo do descanso que devemos tem
em Cristo, e do descanso da vida eterna, mas isso não exclui o mandamento, ou
relativiza sua guarda.
“O descanso
escatológico é semelhante ao sábado, mas não o substitui; eles não são
incompatíveis.” O descanso de Deus na criação em Hebreus 4:10 apresenta como
modelo para o descanso dos crentes. A palavra sabbatismós, em 4:9, caracteriza
esse descanso como sabático. Para ele, a experiência da salvação, iniciada pela
fé e consumada no futuro, amplia o significado do descanso sem eliminar a
observância do sétimo dia. O sábado ilustra a salvação; a salvação não torna o
sábado desnecessário.
A essência do
termo grego katápausis está ligada ilustrativamente ao sábado,
especialmente no sentido da cessação de Deus de sua criação. Há uma distinção
do sábado semanal do descanso mais amplo oferecido em Cristo. O argumento é que
os crentes podem entrar nesse descanso “hoje”, pela fé, em qualquer dia,
aproximando-se de Deus mediante o ministério celestial de Jesus. Contudo, o
descanso do sétimo dia continua sendo a referência que explica essa
experiência: cessar, confiar e desfrutar a presença divina. O sentido afirma
expressamente que esse uso espiritual do sábado não significa sua relativização.
Hebreus
enfatiza que a observância do sábado permanece para o povo de Deus (4:9). O
termo grego sabbatismós designa a observância do sábado e que Hebreus 4:10
identifica Deus como aquele cujo descanso deve ser imitado: assim como Deus
cessou suas obras no primeiro sábado, o povo de Deus é convidado a descansar.
Setimo
argumento
O pasto diz – “Jesus
é meu descanso eterno, e em Jesus eu cumpro o sábado”.
Jesus realmente
é a fonte do nosso descanso e da nossa salvação. Entretanto, disso não decorre
que descansar em Cristo substitua a santificação do sétimo dia.
Mas onde a
Bíblia diz que esse descanso substitui a santificação do sétimo dia? Mateus 11
Jesus nos oferece o descanso espiritual do discipulado. Hebreus 4 relaciona
nossa fé ao descanso de Deus na criação. Por isso, guardo o sábado como
expressão de confiança no Criador e Salvador: interrompo minhas atividades para
desfrutar sua presença. Descansar em Jesus dá sentido à minha observância do
sábado.
Derivar de que
Jesus ofereceu seu descanso e que isso anularia o descanso sabático é uma
mirabolante interpretação.
O descanso do sábado
é um descanso físico para os seis dias semanais. Trata-se do descanso do
trabalho semanal, daí o mandamento afirmar – “nenhum trabalho fareis” Êxodo
20:10.
Seria
interessante saber do pastor se ele trabalho sete dias da semana, pelo fato de
ter a promessa do descanso em Cristo.
São duas coisas
diferentes e que foram interpretadas conjuntamente, mas de forma indevida.
Aprendia na faculdade de teologia que o nome disso é ‘eixegese’ ou uma interpretação
pessoal, sem a hermenêutica devida.
Oitavo
argumento
“Paulo disse em
Colossenses que isso (o sábado) seria sombra”.
O pastor cita o
texto de Colossenses 2:16–17 — “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e
bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido
sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.”
Note que o
termo está no plural – “sábados” – se referindo aos sábados cerimoniais. Esse
texto se refere especificamente aos preceitos cerimoniais da lei – festas,
sacrifícios, cerimonias e rituais. Haviam primariamente 7 sábados cerimoniais,
que eram os sábados das 7 festas.
Mas o sábado
semanal, estabelecido na criação, não entra nessa discussão de Paulo. O sábado semanal
é antes do pecado; é antes da necessidade da lei cerimonial. A lei cerimonial
era sim sombra de bens vindouros – da salvação de Cristo. Mas o sábado semanal,
memorial da criação não faz parte disso.
Confundir os sábados
cerimoniais como o sábado semanal é um erro primário. Mas compreensível para
leigos, mas não para acadêmicos.
Conclusão
O sábado semanal
do sétimo dia é um memorial eterno. O profeta Isaias nos lembra sobre os dias
da eternidade ao dizer – “Porque, assim como os novos céus e a nova terra, que
hei de fazer, estarão diante de mim", diz o Senhor, "assim também
estão diante de mim a posteridade e o nome de vocês. De uma Festa da Lua Nova à
outra e de um sábado a outro, toda a humanidade virá adorar diante de
mim", diz o Senhor” Isaías 66:22b,23.
Essa é uma
profecia sobre os novos céus e nova terra, e continuaremos adorar a Deus, vindo
diante Dele. Estaremos no descanso eterno, mas nem por isso o profeta diz que
estaremos livres de ir diante de Deus.
Que Deus nos
ilumine a fim de não sermos desencaminhados por falácias ou equívocos de
interpretações pessoais.
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