A VOCAÇÃO DOS CRENTES



Quando a Bíblia fala em VOCAÇÃO o que isso significa?

Geralmente, vocação, aplicamos a alguém que tem uma habilidade natural e faz algo muito bem, de forma “profissional” ou eficiente.


Mas não são apenas os profissionais que possuem uma vocação. A vocação abrange diversas áreas, incluindo a espiritualidade.


Por exemplo os cristãos foram vocacionados por Deus em alguns aspectos. Primariamente a vocação do cristão  está relacionado com a principal função que Deus nos designou - o sacerdócio (Ap 1:6; 5;10; 20:6up). 


A vocação também está relacionada com os dons espirituais do cristão. Pois cada crente sacerdote, irá ter um ministério pessoal de acordo com esses dons.


Para termos certeza da nossa vocação, é importante:

  • aceitar pela fé, o nosso sacerdócio
  • crer que o Espírito Santo nos capacitou com dons
  • agir para que esses dons possam se manifestar
  • nos consagrarmos ao serviço de nosso ministério pessoal
  • cumprir a missão da igreja com nosso sacerdórcio e vocação

Mas a vocação cristã se expande a outras experiências espirituais.


Chamados para a salvação e para uma vida santa


2 Timóteo 1:9

“Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a Sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos.”


A vocação cristã nasce da iniciativa de Deus. Antes de ser um chamado para fazer algo, é a experiência de sermos salvos para a vida eterna em Cristo Jesus. Fomos vocacionados para pertencer a Deus e adorar e servir ao Ele como Criador e Redentor.


Chamados para viver de maneira digna


Efésios 4:1

“Rogo-vos, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados.”


A vocação não é apenas um evento; é um estilo de vida. O chamado de Deus deve ser refletido no caráter, nas atitudes e no relacionamento com as pessoas. A vocação primordial de todas é sermos à “imagem e semelhança” (Gn 1:27) de Deus. E assim chamados para vivermos como o Criador nos designou; o ‘design’ de Deus é expresso em Sua Lei (Ex 20:3-17).


Chamados para produzir frutos e servir


João 15:16

“Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, Eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vão e deem fruto, e o vosso fruto permaneça.”


A vocação cristã é missionária. Cristo chama Seus discípulos para uma vida frutífera, dedicada ao serviço e à expansão do Reino de Deus. E isso acontece quando assumimos nosso sacerdócio e ministério no uso dos dons espirituais.


Chamados para perseverar até a recompensa eterna


Filipenses 3:13-14

“Uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.”


A vocação cristã aponta para o futuro. O chamado de Deus conduz o crente a uma caminhada perseverante até a glorificação, quando seremos transformados completamente a Sua imagem e semelhança novamente.


A vocação cristã em cinco dimensões


Esses quatro textos apresentam uma progressão lógica da vocação do cristão:


  1. 1 Pedro 2:5,9 - Deus nos fez sacerdotes para ministrar a outras pessoas de acordo com nossos dons
  2. 2 Timóteo 1:9 — Deus nos chama pela Sua graça salvadora.
  3. Efésios 4:1 — Somos chamados a viver dignamente.
  4. João 15:16 — Somos chamados a servir e produzir frutos.
  5. Filipenses 3:14 — Somos chamados a perseverar até receber o prêmio eterno.


Juntos, esses textos mostram que a vocação cristã começa com a graça de Deus, transforma o caráter, produz uma vida de serviço e culmina na esperança da vida eterna.

PROJETO NOAH’S ARK SCANS

Uma Silhueta em Forma de Navio nas Montanhas da Turquia

Pesquisas recentes do projeto Noah’s Ark Scans trazem informações científicas que confirmam o relato bíblico do dilúvio e da Arca de Noé.

Poucas histórias bíblicas despertam tanto fascínio quanto a narrativa da Arca de Noé. Durante séculos, exploradores, arqueólogos e estudiosos procuraram evidências do gigantesco navio descrito em Gênesis. Entre todas as possíveis localizações propostas ao longo da história, nenhuma recebeu tanta atenção quanto a misteriosa formação de Durupınar, localizada no leste da Turquia, próxima à região tradicionalmente associada aos montes de Ararate.

Vista do alto, a formação apresenta um contorno surpreendentemente semelhante ao de uma embarcação. Sua dimensão também chama atenção: cerca de 157 metros de comprimento, medida que corresponde de forma notável aos 300 côvados mencionados em Gênesis para a construção da Arca.

Mas seria apenas uma coincidência geológica ou estaríamos diante de um dos maiores achados arqueológicos da história?

Uma Descoberta Acidental que Intriga Há Décadas

A formação foi identificada em fotografias aéreas realizadas pelo capitão turco İlhan Durupınar em 1959. Desde então, o local tornou-se objeto de debates intensos.

Durante décadas, pesquisadores visitaram a região, coletaram amostras e realizaram levantamentos geológicos. Alguns concluíram que a estrutura era apenas uma formação natural produzida por processos geológicos. Outros acreditaram estar diante dos restos fossilizados de uma embarcação antiga.

O debate permaneceu praticamente estagnado até que novas tecnologias de prospecção geofísica passaram a ser aplicadas no local.

O Que os Novos Escaneamentos Estão Revelando

Nos últimos anos, uma equipe internacional vinculada ao projeto Noah’s Ark Scans realizou uma série de investigações utilizando tecnologias modernas de análise subterrânea.

Entre elas estão o radar de penetração no solo (GPR), tomografia de resistividade elétrica (ERT), mapeamento por LiDAR e estudos geoquímicos.

Os resultados divulgados chamaram a atenção porque revelaram padrões internos que não seriam facilmente explicados por uma simples formação rochosa aleatória.

Os levantamentos identificaram estruturas lineares subterrâneas, ângulos retos e compartimentos distribuídos ao longo de toda a extensão da formação. Em algumas interpretações dos dados, aparecem corredores e divisões internas semelhantes a salas ou compartimentos.

Os pesquisadores observam que tais características diferem significativamente da geologia circundante e podem indicar uma estrutura organizada sob a superfície.

Três Níveis Internos e a Descrição de Gênesis

Uma das observações mais comentadas diz respeito à identificação de camadas internas paralelas.

Segundo os pesquisadores, algumas imagens obtidas por radar parecem indicar três níveis distintos abaixo da superfície. Isso chamou atenção porque Gênesis descreve a Arca como possuindo três pavimentos.

Naturalmente, a semelhança não constitui uma prova definitiva. Entretanto, para os pesquisadores envolvidos, a coincidência entre as dimensões, a forma externa e a possível estrutura interna torna o local digno de investigação aprofundada.

O Que Dizem as Análises do Solo

Outro aspecto interessante envolve a composição do solo.

Amostras coletadas dentro da formação apresentaram concentrações significativamente maiores de matéria orgânica quando comparadas às áreas vizinhas. Algumas análises registraram níveis mais elevados de potássio e diferenças químicas consistentes em relação ao terreno ao redor.

Os pesquisadores sugerem que esses resultados poderiam estar relacionados à decomposição de grandes quantidades de material orgânico enterrado há muito tempo.

Além disso, observou-se que a vegetação sobre a formação apresenta comportamento diferente da vegetação do entorno, indicando possíveis diferenças na composição do subsolo.

As Misteriosas Pedras de Âncora

Outro elemento frequentemente associado ao sítio são enormes blocos de pedra encontrados nas proximidades.

Essas pedras possuem perfurações cuidadosamente abertas em suas partes superiores. Alguns pesquisadores defendem que seriam antigas pedras de arrasto, utilizadas por embarcações antigas para estabilização em águas agitadas.

Muitas dessas pedras apresentam cruzes esculpidas posteriormente, provavelmente por cristãos armênios que consideravam a região associada ao relato do Dilúvio.

Entretanto, arqueólogos mais cautelosos observam que a origem e a função dessas pedras continuam sendo debatidas. Elas podem ter desempenhado outras funções religiosas ou culturais ao longo da história.

A Ciência Ainda Não Deu o Veredito Final

Apesar do entusiasmo de muitos pesquisadores, a comunidade científica ainda não considera a questão resolvida. Mas isso é esperado porque a comunidade científica é incrédula aos eventos sobrenaturais como o dilúvio.

Diversos geólogos argumentam que a formação pode ser explicada por processos naturais envolvendo dobramentos, erosão e sedimentação. Alguns estudos publicados nas últimas décadas sustentam que a estrutura possui origem geológica e não arqueológica.

Essa divergência é precisamente o que torna o caso tão interessante.

De um lado, existem dados geofísicos recentes apontando características incomuns. De outro, permanecem interpretações alternativas que procuram explicar essas mesmas evidências por processos naturais.

Um Novo Capítulo na Investigação

Em 2026 foi iniciado um projeto oficial de pesquisa envolvendo arqueólogos e instituições turcas autorizadas pelo governo da Turquia. O objetivo é realizar estudos mais detalhados, incluindo novos levantamentos geofísicos, análises geológicas e perfurações controladas.

Os responsáveis enfatizam que não haverá escavações precipitadas. Antes de qualquer intervenção arqueológica, a intenção é compreender completamente o que existe sob a superfície.

Essa abordagem cautelosa é importante, pois qualquer escavação inadequada poderia destruir informações valiosas para sempre.

Por Que Esse Local Continua Fascinando o Mundo?

Independentemente do resultado final, a formação de Durupınar ocupa um lugar singular na arqueologia bíblica.

Ela reúne vários elementos raramente encontrados em conjunto: uma forma semelhante à de uma embarcação, dimensões compatíveis com o relato de Gênesis, evidências geofísicas intrigantes, tradições locais antigas e décadas de pesquisas contínuas.

Talvez as futuras investigações confirmem uma explicação geológica natural. Talvez revelem evidências arqueológicas inesperadas. Neste momento, ninguém pode afirmar com certeza.

Mas uma coisa é indiscutível: o mistério de Durupınar continua sendo uma das investigações mais fascinantes relacionadas ao mundo bíblico moderno.

Enquanto novos dados surgem e novas tecnologias são aplicadas ao local, a pergunta permanece viva, ecoando através dos séculos: poderia a montanha estar realmente guardando os vestígios da embarcação mais famosa da história?

Conclusão

Para os cristãos, o relato bíblico é o suficiente para cremos. Porém esse projeto e sua pesquisa científica é uma evidência aos descrentes e incrédulos.

Mas a maior evidência é a realidade da existência do juízo que ocorreu com o dilúvio. Deus julgou as obras e intenções do povo anti-diluviano. E não será diferente para nossa geração.

Um juízo está prestes a vir sobre o planeta novamente. A Bíblia alerta - “Deus não poupou … o mundo antigo, mas preservou a Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas, quando fez vir o dilúvio sobre o mundo de ímpios” 2Pedro2:4,5. 

Deus julgará a humanidade desse último século por seus crimes, violência e injustiças. Busquemos individualmente o perdão de Deus e Sua Graça transformadora.

FESTAS JUNINAS SÃO RELIGIOSAS?

 

As Festas Juninas, como são conhecidas hoje no Brasil, resultam da combinação de antigas festividades europeias do solstício de verão com tradições cristãs promovidas pela Igreja Católica durante a Idade Média.

Origem pré-cristã

Muito antes do cristianismo, diversos povos da Europa celebravam o solstício de verão no hemisfério norte (entre 20 e 24 de junho). Essas celebrações marcavam o período de colheita e fertilidade da terra.

Ou seja elas são resultado do sincretismo do paganismo com o cristianismo que ocorreu a partir do 4º século da era cristã. A união do império romano como o cristianismo causou essa tolerância com a cultura dos pagãos e a adesão de muito de seus hábitos e costumes. O que realmente houve foi a “cristianização” da cultura dos ‘pagãos’ romanos, gregos e indo-europeus.

Entre os costumes das que marcavam o período de colheita e fertilidade da terra estavam: Acender fogueiras; Dançar em rodas; Realizar procissões pelos campos; Celebrar a fertilidade da terra e dos animais; Fazer refeições comunitárias. Povos celtas, germânicos e romanos possuíam festivais semelhantes ligados ao ciclo agrícola.

Cristianização pela Igreja Católica

Com a expansão do cristianismo na Europa, a Igreja Católica procurou substituir ou ressignificar muitas festas pagãs. Em vez de eliminar completamente essas celebrações populares, associou-as a datas cristãs.

As festividades passaram a homenagear três santos importantes: São João Batista — 24 de junho. Santo Antônio — 13 de junho. São Pedro — 29 de junho. Por isso, inicialmente eram chamadas de "Festas Joaninas" (em referência a São João). Com o tempo, passaram a ser conhecidas como "Juninas", por ocorrerem durante o mês de junho.

A fogueira de São João

Segundo uma tradição católica medieval baseada em Lucas 1, Isabel teria avisado Maria sobre o nascimento de João Batista por meio de uma fogueira acesa em uma colina. Embora essa história não esteja na Bíblia, tornou-se uma tradição popular e ajudou a explicar a presença das fogueiras nas festas dedicadas a São João.

Chegada ao Brasil

As Festas Juninas chegaram ao Brasil com os portugueses durante o período colonial. A cultura católica romana era fortemente expansiva e com finalidade de evangelização. Mas essas ações eram maleáveis ao ponto de se adequar aos costumes do povo colonizado.

Aqui no Brasil elas incorporaram elementos de diferentes culturas: Portuguesa (devoção aos santos e procissões). Indígena (alimentos derivados do milho e da mandioca). Africana (ritmos, danças e elementos culturais diversos).

Por isso, as festas brasileiras adquiriram características próprias, especialmente no Nordeste.

Elementos tipicamente católicos

Historicamente, vários elementos das Festas Juninas têm origem na religiosidade popular católica: Novenas de Santo Antônio. Procissões. Orações aos santos. Mastros com imagens dos santos. Promessas e votos religiosos. Casamentos realizados em honra aos santos. Esses casamentos eram devido a proximidade da festa do dia 13 de Junho, dedicada a Santo Antônio.

Em muitas cidades do interior, as celebrações das Festas Juninas ainda começam com missas e procissões.

O que diz a história?

Os historiadores geralmente concordam que a festa junina não nasceu dentro da Igreja Católica. Ela tem raízes em antigas celebrações agrícolas e do solstício dos povos pagãos e que o sincretismo do cristianismo com o império romano, resultou no que temos hoje. A Igreja Católica incorporou essas festividades ao calendário cristão. E os santos juninos forneceram uma nova interpretação religiosa para costumes já existentes.

Assim, as Festas Juninas são um exemplo clássico de sincretismo histórico: práticas populares antigas foram reinterpretadas e integradas à tradição cristã medieval, chegando ao Brasil através da colonização portuguesa e adquirindo características culturais próprias.

Qual o efeito desse sincretismo

O resultado do sincretismo do 4º século foi a corrupção do cristianismo apostólico que sofreu a alteração de suas principais doutrinas. Por exemplo, a descentralização da figura de Cristo para a de ‘santos católicos’; a elevação do status dos bispos para serem substitutos de Cristo; a adoção das imagens; a mudança do sábado para o domingo etc.

Esse sincretismo sempre terá a tendência de corromper os cristãos. No caso de hoje, de cristãos protestantes que participam das festas juninas, elas acabam com ‘unir’ a cultura religiosa que deveria ser muito distinta.

A igreja católica tem uma doutrina muito frouxa em relação ao comportamento e hábitos de seus membros, e assim as festas juninas são agregadas de muitos elementos culturais que ferem os princípios cristãos bíblicos; por exemplo o uso de álcool, as músicas, alimentação insalubre, comportamentos sexuais inadequados etc.

Como as festas juninas são muito populares entre as crianças e promovidas nas escolas, toda essa cultura não cristã e anti-biblica acaba alcançando a mente e o comportamento dos nossos filhos. Isso é muito grave!

Cultura brasileira

A festa junina no Brasil agregou o estilo de vida rural tão apreciado do nosso país. Esse aspecto é um lado saudável da cultura brasileira – a culinária natural, a confraternização, o estilo de vida do campo, a socialização do povo interiorano – são elementos bons em si mesmos.

Esse aspecto os cristãos perceberam e fizeram a sua versão para celebrar essa cultura brasileira e interiorana. Se criou a festa caipira, festa do milho etc. Há algum mal nisso?

Se as festas organizadas pelas comunidades cristãs não adotam os elementos católicos e nem a cultura que chamamos de ‘mundana’ ou descrente, e valoriza cultura boa e saudável, não há mal ou pecado. Mas participar das festas diretamente ligadas a igreja católica é sincretismo. Por mais que as diferenças religiosas não devam causar tensões, os protestantes devem saber seus limites e valorizar suas próprias crenças e cultura que são sagradas.

Cultura adventista

Os adventistas tem na sua história o estilo de vida dos pioneiros da igreja que eram pessoas rurais e campestres. A igreja adventista promove fortemente que os crentes procurem ter uma vida fora das grandes cidades e no campo.

A cultura alimentar adventista promove fortemente uma alimentação natural, tão característica da vida rural e ‘caipira’. As festas dessa época do ano, são muito elementares ao estilo de vida adventista.

Embora os adventistas se considerem ‘herdeiros da reforma’ protestante, devemos ser os primeiros a evitar o sincretismo religioso e secular. No entanto a igreja promove fortemente a sociabilização e as relações comunitárias como meio de alcançar pessoas para Cristo. O lema adventista é que “todo cristão nasce no reino de Deus um missionário” (SC 7.9).

E as festas, sejam elas caipiras, o natal, o ano novo, são excelentes ocasiões para aproximar as pessoas da nossa própria cultura e celebrar a cultura do nosso país de forma saudável e lúcida.

Conclusão

Ainda hoje devemos evitar o sincretismo religioso, mas sem nos afastar das pessoas. A relação social é o veículo do evangelho para que a verdade bíblica seja compartilhada.

Para isso nossas próprias festas caipiras devem ser promovidas como opção às crianças de jovens e para sociabilização.

Celebrar o estilo de vida rural e a cultura gastronômica simples e saudável do interior, já faz parte de nossas crenças. E isso é bom.

O conselho bíblico é – “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” Filipenses 4:8. Que sejam assim nossas festas de época.

É PECADO ASSISTIR JOGOS DE FUTEBOL?

 

Definição de Pecado

Em uma época como essa, de Copa do Mundo de Futebol, surge entre os cristãos essa pergunta sincera.

A Palavra de Deus estabelece um princípio – “Não amem o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” 1 João 2:15. É o amor ao futebol e as coisas relacionadas a ele, que fariam o hábito de assistir jogos como pecado. Isso envolve assistir jogos todas as semanas, ser torcedor apaixonado e aplicar dinheiro e tempo nisso.

Outro princípio da Palavra de Deus é – “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei” 1João 3:4. A Lei de Deus não menciona jogos de futebol, mas ela regula o amor a Deus (Êxodo 20:3) e a idolatria (Êxodo 20:5). O pecado está em transformar o futebol em uma afeição ou fanatismo, e idolatrar os jogadores.

Isso pode se aplicar a várias coisas, não só ao futebol. Por exemplo, amar passeios ao shopping e dedicar muito tempo às lojas, compras, ou simplesmente admirar roupas e coisas materiais, se preocupar com a aparência e vestuário, também se torna pecado.  

O Pecado do Fanatismo

Os cristãos devem evitar o fanatismo nas coisas relacionadas ao futebol. O pecado está em amar as coisas relacionadas a esse entretenimento. Acompanhar os jogos semanais, usar camisas de times no dia a dia, comprar ingressos, ser sócio, aplicar tempo e dinheiro em tais coisas, nisso está o pecado.

A paixão é algo que está relacionada ao futebol, e isso que devemos evitar. Nossa paixão deve estar nas coisas espirituais, e nosso amor deve estar em Deus e no Seu Reino.

Mas se você eventualmente assiste os jogos da Seleção Brasileira, a cada quatro anos, isso não se caracteriza por paixão. Mas se você faz isso semanalmente com os jogos do seu clube, e tem coleção de camisas, assiste todos os jogos da seleção, comprou álbum de figurinhas e vai gastar até 2 mil reais para isso, você ama o futebol acima do próprio Deus.

Ambientes dos Jogos

As coisas se dimensionam no hábito de acompanhar jogos de futebol. Os ambientes como estádios não são apropriados para os cristãos. Ali a paixão se extravasa em palavrões, rivalidade e nos extremos da violência. É muito comum as brigas entre torcedores, dentro ou fora dos estádios. Isso não é algo que o cristão deve participar.

O livro Mensagens aos Jovens possui um texto sobre ambientes que não trata especificamente de estádios de futebol, mas que pode ser aplicado a isso; ali é dito – “O amor aos espetáculos aumenta cada vez mais, assim como o desejo para as bebidas alcoolicas se fortalece com seu uso. O único caminho seguro é evitar o tatro, o circo, e qualquer outro lugar de diversão duvidosa” MJ 380.3.

Os estádios de futebol oferecem espetáculos sensoriais que tem como objetivo cativar nossa atenção e emoção. A adrenalina que os espetáculos oferecem, viciam os torcedores.

No entanto você pode acompanhar os jogos da seleção em casa, em um ambiente sadio e sem muita excitação. Não se trata de dosar o pecado, mas de não se envolver com aqueles que são fanáticos. Não existe pecado em assistir jogos de futebol pela TV, assim como assistir bons filmes ou boas séries.

Futebol como Esporte

A prática esportiva é um hábito reconhecidamente saudável. E para os que gostam de futebol isso se torna um hábito que traz saúde. Para o cristão a prática do futebol será um desafio, para não o fazer nos moldes do mundo.

Dessa forma, melhor praticar o esporte para benefício da saúde, do que não praticar esporte nenhum. Sendo assim não é pecado a prática do esporte em si mesmo, se tudo for feito com o espírito cristão – sem competição, sem violência ou xingamentos.

Os Esportes no Tempo Bíblico do NT

A vivência do cristianismo e seus princípios pode melhorar toda e qualquer pratica lícita da vida, seja um entretenimento ou o trabalho profissional.

Paulo, o pastor experiente das primeiras igrejas cristãs, e que passou por muitas cidades romanas de cultura grega, descreve o ambiente esportivo como se tivesse assistido a alguns eventos como as próprias olimpíadas – “Vocês não sabem que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Corram de tal maneira que ganhem o prêmio. Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” 1 Coríntios 9:24-27.

Paulo estava familiarizado com os esportes olímpicos. Não acredito que tenha frequentado os Coliseus romanos, porque ali os espetáculos envolviam a morte dos cristãos, mas o apóstolo tinha conhecimento dos esportes e como usou em suas cartas, talvez apreciasse a prática esportiva.

Conclusão

Assistir jogos não é pecado. Mas a paixão pelo futebol ou qualquer outra coisa, se torna pecaminosa. Sejamos sábios em estar nesse mundo mas não amar as coisas desse mundo. Procuremos sim, aplicar nossa paixão e energia nas coisas do Reino de Deus, e celebrar os eventos desse reino, nos envolvendo na adoração de Deus e na missão da igreja.

A JUSTIÇA DE CRISTO

O que significa “nos revestir da justiça de Cristo”?

A Justiça de Cristo está relacionada com aquilo que Jesus fez quando estava aqui na terra e viveu entre nós. Jesus viveu uma vida sem pecado e teve uma obediência perfeita à Lei de Deus – isso é a Justiça de Jesus, os mérito de Jesus.

O evangelho explica que “por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos” Romanos 5:19. A vida sem pecado de Jesus e sua obediência perfeita é concedida aos seres humanos que creem Nele. Isso representa a Justiça de Jesus, que é dada aos crentes.

Esse processo é chamado de “Justificação Pela Fé”. É um processo em que Deus primeiro declara os pecadores arrependidos em “justos”; e depois passa a comunicar “justiça” a esses crentes.

O que significa isso na prática?

Quando confessamos os nossos pecados, e pedimos arrependimento, mudança, Jesus ao ver a sinceridade dessa experiência, Ele apaga nossos pecados do registro celestial (Isaías 43:25 – “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim e dos teus pecados não me lembro.”).

 Nesse momento, somos declarados justos no grande tribunal celestial, onde Jesus é nosso Advogado (1João 2:1,2; Dn 7:9,10). Nos livros celestiais, os pecados são apagados, e é escrito ali “justificado”. É uma declaração de justiça, fomos declarados justos perante o Juiz Celestial que é o Pai (Ap 20:11,12).

Mas Jesus não apenas nos “declara justos”, Ele começa um segundo momento dessa experiência da “justificação pela fé” que é a “comunicação de justiça”. Através do Espírito Santo, a pessoa que crê em Jesus, começa a receber virtudes, os “frutos do Espírito” (Gl 5:22,23). Ainda porque o crente crê em Jesus e confia no seu Salvador, o Deus Espírito começa a inserir essas virtudes no caráter do crente.

Esse processo é levado avante na vida do cristão enquanto ele se mantem afastado da prática do pecado; pedindo o verdadeiro arrependimento, e olhando para Cristo (Hb 12:2). O “olhar para Cristo” envolve viver a vida que Cristo viveu; praticar as mesmas obras que Jesus fez e ser obediente como Jesus foi aos mandamentos. Jesus mesmo diz – “Se vocês me amam, guardarão os meus mandamentos” João 14:15.

Assim os que creem em Jesus, passam a ter uma vida obediente à Lei de Deus, observando seus mandamentos, mas como resultado da ação do Espírito Santo em nossa vida. A obediência é uma virtude que o Espírito Santo nos dá. É a justiça comunicada ao crente.

Dessa forma o “caráter de Cristo” vai sendo reproduzido nos crentes. Esse caráter que o Espírito Santo reproduz em nós, é representado como “vestes de justiça”. Essa “veste de justiça” foi representada quando Adão e Eva receberam vestes de pele de cordeiro no Éden (Gn 3:21). Também foi ilustrada na experiência do sacerdote Josué, quando suas roupas sujas, foram trocada por roupas limpas (Zc 3:3-5). Foi belamente exemplificada também na parábola do filho pródigo, quando o pai da parábola veste seu filho com as melhores roupas (Lc 15:22). Outra parábola ensina esse processo da justificação pela fé, descrevendo uma festa de casamento onde um rei dá aos seus convidados roupas nupciais novas e belas para que entrem na festa das núpcias do seu filho (Mt 22:11,12). Em todas essas parábolas e histórias, as vestes são concedidas gratuitamente. Ou seja, a “justiça de Cristo” é dada de graça aos pecadores.

Como fazemos isso no cotidiano do dia-a-dia?

Receber essas “vestes” ou a “justiça de Cristo” significa permitir que as virtudes do Espírito Santo, ou os frutos do Espírito, sejam inseridas em meu caráter. Isso envolve transformação diária.

Na parábola das “vestes nupciais” (Mt 22:11,12) um homem está no salão de festas (igreja) sem as roupas que eram oferecidas de graça. Isso significa que há a possibilidade de uma pessoa estar na igreja, na experiência cristã, mas se negar a receber a “justiça de Cristo. Isso pode parecer inimaginável, mas quando rejeitamos ser transformados, negamos as vestes nupciais; negamos a “justiça de Cristo”; negamos as virtudes do Espírito Santo; não aceitamos ser transformados.

Porque alguém se negaria ser transformado? Por que nós nos apegamos aos prazeres do pecado. Outros se negam mudar seu temperamento. Há ainda aqueles que amam os hábitos e costumes, práticas desse mundo. Há pessoas, mesmo que supostamente se acham cristãos, que se negam obedecer aos mandamentos de Deus. Outros se negam obedecer um mandamento, ou alguns deles. Todas essas experiências envolvem o ato de ‘negar a justiça de Cristo’ ou não estar recebendo as virtudes do Espírito Santo. Essas pessoas por suas atitudes, não creem de verdade em Cristo, e assim não passam pela experiência da santificação.

A santificação é a experiência de estar se permitindo ser mudado ou transformado pelo Espírito Santo. Onde o caráter falho é substituído gradativamente, por um caráter cada vez mais semelhante ao de Cristo. Por isso o apóstolo Paulo diz – “Cristo em vocês, é a esperança da glória” Cl 1:27. O caráter de Cristo reproduzido em nós é a grande esperança cristã.

Mas os que se negam ser transformados novamente à imagem e semelhança de Cristo, ou de Deus, não estão sendo justificados pela fé, e não estão passando pela experiência da santificação.

O que a justiça de Cristo não faz?

“A justiça de Cristo não é uma capa para encobrir pecados não confessados e não abandonados; é um princípio de vida que transforma o caráter e guia a conduta” DTN 441.

A experiência da justificação pela fé não admite permanecer no pecado. A justiça de Jesus não é concedida quando a pessoa está na prática de pecados ocultos ou públicos. A experiencia da justificação irá transformar o caráter da pessoa, irá dar o verdadeiro arrependimento e mudar os hábitos e costumes, levando ao estilo de vida bíblico e na conformidade com os Conselhos da Testemunha Verdadeira, no Espírito de Profecia.

Em toda a Escritura, Deus demonstra disposição para perdoar pecadores arrependidos, mas nunca apresenta Sua graça como justificativa para a permanência no pecado. O perdão é acompanhado por uma mudança de direção. Quando o pecado é preservado, acariciado ou racionalizado, ele continua produzindo seus frutos destrutivos.

Caim não confessou nem abandonou o espírito de inveja e ressentimento contra seu irmão. Mesmo após Deus adverti-lo de que o pecado estava à porta, ele alimentou sua hostilidade até que esta se transformou em assassinato. O homicídio foi apenas a manifestação visível de uma rebelião interior cultivada durante muito tempo.

Faraó não abandonou o orgulho. Repetidamente prometeu obedecer a Deus durante as pragas, mas voltava atrás assim que a pressão diminuía. Seu arrependimento era circunstancial, não transformador. O coração permanecia o mesmo.

Acã não confessou nem abandonou a cobiça pelos bens proibidos de Jericó. Primeiro viu, depois desejou, tomou e escondeu. Mesmo quando Israel sofreu derrota na cidade de Ai, ele permaneceu em silêncio até ser confrontado. O pecado oculto tornou-se uma tragédia para toda sua família.

Sansão não abandonou sua atração por relacionamentos com prostitutas que Deus havia condenado como pecado. Embora fosse escolhido para uma missão especial desde o nascimento, repetidamente ignorou os limites estabelecidos por Deus. Sua queda não ocorreu em um único dia; foi o resultado de escolhas persistentes que nunca foram verdadeiramente abandonadas.

Balaão não abandonou o amor ao lucro e às recompensas materiais. Embora conhecesse a vontade de Deus e até anunciasse profecias verdadeiras, continuou buscando maneiras de obter os benefícios prometidos por Balaque. Sua história mostra que conhecimento espiritual não substitui a transformação do caráter.

Saul não confessou nem abandonou sua independência da vontade de Deus. Desde a desobediência em Gilgal até a preservação do rei Agague e dos melhores animais dos amalequitas, Saul procurou justificar suas escolhas em vez de reconhecê-las plenamente. O mesmo rei que expulsou os médiuns de Israel acabou recorrendo à necromancia em En-Dor. Sua história mostra que pecados não abandonados tendem a reaparecer sob novas formas.

O rei Acabe não abandonou sua submissão pecaminosa à influência de Jezabel. Em vários momentos demonstrou remorso superficial, mas nunca rompeu decisivamente com a idolatria e a injustiça que dominavam seu reino. Seu arrependimento ocasional não foi acompanhado por uma reforma permanente.

Herodes Antipas não abandonou seu relacionamento pecaminoso com Herodias. Ele ouvia João Batista com interesse e até certo respeito, mas recusava-se a romper com o pecado que lhe era apontado. A admiração pela verdade não substituiu a obediência à verdade.

O jovem rico não abandonou seu apego às riquezas. Embora desejasse a vida eterna e demonstrasse interesse sincero em Jesus, não estava disposto a entregar aquilo que ocupava o lugar de Deus em seu coração. Seu problema não era a posse dos bens, mas a recusa em renunciar ao ídolo que eles haviam se tornado.

Judas não confessou nem abandonou a prática da cobiça. Os Evangelhos mostram que ele administrava a bolsa do grupo apostólico e retirava dela recursos para si. O roubo não era um incidente isolado, mas um hábito oculto. Quando chegou o momento da crise, a mesma cobiça amadurecida o levou a vender o Mestre por trinta moedas de prata.

Ananias e Safira não confessaram nem abandonaram o amor à aparência religiosa. Desejavam receber o reconhecimento reservado aos verdadeiramente generosos sem realizar o mesmo sacrifício. O pecado deles não foi apenas reter parte do dinheiro, mas cultivar deliberadamente uma vida dupla, buscando prestígio espiritual enquanto escondiam a realidade do coração.

Félix, governador romano, não abandonou sua procrastinação espiritual. Preferiu os prazeres e as riquezas desse mundo. Ao ouvir Paulo falar sobre justiça, domínio próprio e juízo futuro, ficou alarmado, mas adiou sua decisão. Reconheceu a verdade, mas não permitiu que ela transformasse sua vida.

Demas não abandonou seu amor ao mundo. Foi cooperador de Paulo durante algum tempo, mas acabou deixando o ministério porque seu coração permanecia dividido. A atração pelos interesses terrenos revelou-se mais forte do que seu compromisso com Cristo.

Conclusão

Todas essas pessoas eram religiosas, mas não estavam na experiencia da "justificação pela fé" e não receberam a santificação, por permanecerem no pecado e se negarem ser transformados.

A diferença fundamental entre esses dois grupos não está no tamanho dos pecados cometidos, mas na resposta dada ao pecado. A graça de Deus alcança assassinos, adúlteros, ladrões e perseguidores. Entretanto, ela não atua como um disfarce para pecados cultivados conscientemente.

A justiça de Cristo não apenas perdoa; ela transforma. Não apenas cobre o passado; cria um novo futuro. Onde existe verdadeira fé, surge também a disposição de confessar o pecado e abandoná-lo. 

É nesse contexto que a justiça de Cristo deixa de ser apenas uma doutrina e se torna um princípio vivo que molda o caráter, transforma a vida e dirige a conduta diária.