OS SETE SOLAS DA REFORMA CONTINUADA

A Reforma Protestante do século 16 levantou cinco princípios para libertar a fé cristã da tradição da Igreja Romana. No entanto a reforma não terminou.

O movimento Adventista do século 19 trouxe a compreensão de mais dois princípios para a reforma protestante.

Essa reforma adventista conserva os 5 princípios anteriores e amplia com a compreensão de mais dois princípios bíblicos, completando a restauração da verdade:

Os Solas Clássicos           

1. Sola Scriptura — Somente a Escritura               

2. Sola Fide — Somente a Fé

3. Sola Gratia — Somente a Graça          

4. Solus Christus — Somente Cristo        

5. Soli Deo Gloria — Glória Somente a Deus       

Os Solas Restaurados

6. Sola Creator — Somente o Criador

7. Sola Intercessio Christi — Somente a Intercessão de Cristo

6º Sola –  Sola Creator — Somente o Criador

O princípio Soli Deo Gloria exalta a glória exclusiva de Deus; porém, o apelo final do Apocalipse amplia esse conceito, conclamando à adoração “Daquele que fez o céu, e a terra, e o mar”(Apocalipse 14:7).

A reforma continuada deve restaurar a adoração ao Criador e o memorial de Sua criação — o sábado: 

“O sábado é o grande teste da lealdade, pois é o ponto especial de verdade que é posto em controvérsia. […] Ao observarem o sábado, os filhos de Deus distinguem-se como leais a Ele.”— O Grande Conflito, p. 605

 “No sábado, Deus deseja que se adore Aquele que é o Criador do céu e da Terra. […] O sábado será o grande ponto de controvérsia no conflito final entre a verdade e o erro.” — Eventos Finais, p. 146

 A obediência ao quarto mandamento, longe de ser legalismo, é um reconhecimento da soberania divina — “somente o Criador” é digno de adoração. Assim, a adoração ao Criador no sábado se torna o emblema do primeiro novo “Sola”.

 Esse princípio também restaura a Lei de Deus, base do governo celestial.

 “A lei de Deus é tão sagrada como o próprio Deus. […] É a expressão do Seu caráter.” — O Grande Conflito, p. 434

 Aqueles que continuam a Reforma devem, portanto, não apenas defender a Bíblia como única regra de fé, mas também viver segundo os princípios imutáveis da lei divina, incluindo o quarto mandamento.

 Além disso, a adoração ao Criador implica reconhecer o corpo humano como templo de Deus. A reforma de saúde, ensinada por Ellen White, é parte inseparável desse princípio:

 “A reforma de saúde é uma parte da grande obra que deve preparar um povo para a vinda do Senhor. […] A temperança em todas as coisas é essencial à santificação do espírito, da alma e do corpo.” — Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 69

 Portanto, “Somente o Criador” sintetiza três pilares da fé adventista e da Reforma continuada:

A adoração ao Criador no sábado (Gn 2:1-3)

A validade eterna da Lei de Deus (Mt 5:17)

Neste último se inclui a reforma de saúde, como leis de saúde, que referenciam a criação divina do ser humano (Gn 1:29).

O Protesto

Esse sexto princípio da reforma é um protesto contra a ação da igreja romana em mudar a Lei de Deus. O catecismo romano ensina que o Decálogo de Êxodo 20 não possui o mandamento sobre imagens (Ex 20:4-6). Na tradição católica romana esse mandamento que proíbe fazer imagens e da culto a elas, foi retirado no catecismo e na teologia católica. É uma grave alteração da Palavra de Deus, desprezando a Lei escrita com o próprio Dedo de Deus (Ex 31:18).

 Outra mudança foi do texto do 4º mandamento (Ex 20:8-11) que o texto dizia – “Lembra-te do sábado para o santificar”. O catecismo católico traz o registro de que foi mudado esse mandamento para “Guardar domingo e festas”. Essa é outra grave alteração da Palavra de Deus e de Sua Lei.

 O acréscimo do princípio Sola Creator restaura a autoridade de Deus através de Sua Lei, restaurando não somente o mandamento do sábado, mas o mandamento de imagens.

 Assim é imprescindível que a reforma seja continuada nesse novo acréscimo.

7º Sola –  “Somente a Intercessão de Cristo” 

O princípio original Solus Christus proclamava que só Cristo é o mediador da salvação. A reforma restaurada amplia esse conceito, mostrando que Cristo não apenas morreu por nós, mas também vive para interceder em nosso favor no santuário celestial.

É essa verdade central no adventismo; a mais importante e primeira revelação dada aos crentes reformadores do século XIX.

“Cristo entrou no próprio Céu, a fim de comparecer agora por nós na presença de Deus. […] Ele está ministrando no santuário celestial em nosso favor, apresentando o Seu sangue diante do Pai.”— O Grande Conflito, p. 420

A doutrina do santuário celestial é a espinha dorsal do segundo novo “Sola”. Nela, Cristo é o único sacerdote e mediador entre Deus e o homem — uma reafirmação e expansão do Solus Christus.

“Assim como no serviço típico havia um juízo investigativo no fim do ano, assim antes da vinda de Cristo há um juízo investigativo no Céu. […] Ele é o Sumo Sacerdote que ministra diante de Deus em favor de Seu povo.” — O Grande Conflito, p. 486-487

O juízo investigativo, iniciado em 1844, marca o início da fase final do ministério de Cristo. É a continuação lógica do princípio reformador: não somente Cristo salva, mas Ele purifica o santuário e vindica a justiça divina.

“Quando Cristo cessar Sua intercessão no santuário celestial, o destino de cada pessoa estará decidido.” — O Grande Conflito, p. 490

Portanto, “Somente a Intercessão de Cristo” destaca:

 A crença em um santuário celestial literal (Hb 8:1,2)

O ministério sacerdotal contínuo de Cristo (Hb 4:14-16)

O juízo investigativo como parte do plano da salvação (Dn 7:9,10).

Assim, o adventismo não acrescenta uma nova mediação, mas expande a compreensão do único mediador — Cristo — em toda a plenitude de Seu ministério.

O Protesto

A igreja romana estabeleceu Maria como a intercessora dos crentes romanos, substituindo a figura eterna de Jesus por uma heresia descomunal. Isso caracteriza sim, essa igreja romana como seita, por tirar os fundamentos da fé cristã – a intercessão de Cristo Jesus.

A verdade restaurada de que é Jesus que está hoje ouvindo as orações e perdoando os pecados, e isso no Santuário Celetial como nosso Sumo Sacerdote (Hb 4:14-16 e 8:2)  é uma denuncia a heresia de uma intercessora.

 A Bíblia declara fundamentalmente – “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” 1 Timóteo 2:5. Assim a doutrina sobre Maria ser intercessora entre Deus e a humanidade, é uma heresia descabida, o que categoricamente faz dessa igreja uma seita desde seus primórdios.

 Conclusão

A continuidade da reforma nos garante a restauração de verdades fundamentais da Palavra de Deus. Os princípios de “Somente o Criador” e “Somente a Intercessão de Cristo” são um desenvolvimento da 2ª e 3ª Mensagens Angelicas que são denuncias de uma falsa adoração e de uma falsa mediadora.

A mesma oposição que a Reforma Protestante enfrentou no século 16, hoje os novos princípios e novos reformadores enfrentarão idêntica oposição e perseguição. Mas a história dos primeiros reformadores nos inspiram a continuar e perseverar em restaurar as verdades bíblicas fundamentais.

Que nossa confissão seja “Soli Deo Gloria”.

SETE FASES DA EXISTÊNCIA DE JESUS

São sete fases que nosso Senhor Jesus vivenciou e ainda vivencia na existência da raça humana: Criador, Arcanjo, Encarnação, Vida, Morte, Ressurreição e Ministério Celestial.

 O Deus Filho como Criador

A nomenclatura de “Filho” atribuída a um dos membros da Divindade é uma parábola para entendermos o sacrifício que Deus se submeteu para demonstrar o Seu amor à raça humana caída e rebelde – “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” João 3:16.

 A Divindade, os Três Seres supremos e gloriosos, que conhecemos como Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito, são uma unidade espiritual Divina, que se manifesta no que nos foi revelado como El Olam (Gn 21:23; Is 40:28) o Deus Eterno.

 Dentre o seres Divinos, o Deus Filho participou como Criador não só do Universo mas de nosso planeta e da raça humana terráquea. O Deus Filho é o criador, assim como o Pai e o Deus Espírito.

 Também foi o Deus Filho que se voluntariou a vir e assumir a natureza das suas criaturas, para se revelar a si mesmo, e revelar ao Pai e ao Consolador. Jesus afirmou – “E quem me vê a mim vê aquele que me enviou” “João 12:45.

 Deus Filho como Arcanjo

Deus amou não mente o mundo terreno (João 3:16), mas o mundo espiritual dos anjos. A eles também se revelou primeiro e os encaminhou para a mesma salvação que os humanos precisavam.

 A “angelicação” do Deus Filho é o equivalente da encarnação para os humanos. Deus Filho se tornou um dos anjos para se revelar a eles e os salvar da mesma forma. Foi na camunidade angélica que surgiu o pecado (Ez 28:14,15) e era no meio destes que o Salvador deveria se manifestar e se revelar a eles.

 A Bíblia fala do Arcanjo Miguel (Josué 5:13–15; Daniel 10:13; Daniel 10:21; Daniel 12:1; João 5:25–29; João 11:43–44; 1 Tessalonicenses 4:16; Judas 1:9; Apocalipse 12:7; Apocalipse 19:11–16) são 10 textos onde Miguel é revelado como único Arcanjo; não há outro Arcanjo a não ser Aquele que é identificado como Miguel.

 O Arcanjo, é uma designação de Jesus Cristo em Sua função de Comandante dos exércitos celestiais, e não um anjo criado. O próprio significado do nome Miguel revela esse fato. No hebraico: מִיכָאֵל (Mîkhā’ēl), significa “Quem é como Deus?”. O nome expressa a incomparabilidade de Deus e está relacionado ao conflito entre Cristo e Satanás.

 No grego: ἀρχάγγελος (archángelos), formado por archē (autoridade, primazia) e ángelos (mensageiro) significa “anjo principal” ou “chefe dos anjos”, é um título de autoridade, não uma indicação de que Cristo seja um ser criado.

 As principais evidências de que Miguel é um Ser Divino são os textos:

- Daniel 10:13, 21: Miguel é apresentado como príncipe celestial e defensor do povo de Deus.

- Daniel 12:1: Miguel Se levanta para libertar Seu povo no tempo de angústia.

- Judas 9: Miguel é identificado como o Arcanjo.

- 1 Tessalonicenses 4:16: Cristo retorna com voz de arcanjo, como evidência de Sua identidade com Miguel.

- Apocalipse 12:7–9: Miguel lidera os anjos na batalha contra Satanás, função atribuída a Cristo no grande conflito.

 Miguel não é outro ser distinto de Jesus, mas um título de Cristo que destaca Sua autoridade e liderança sobre os anjos. Assim Jesus é eternamente Deus, não foi criado e não pertence à ordem dos seres angelicais (Jo 1:1–3; Cl 1:16–17). Após Sua encarnação, a natureza angélica de Jesus foi combinada; assim como após Sua ressurreição sua natureza humana se tornou hibrida (espiritual-humana). Assim Ele permanece Divino-Humano, espírito e físico.

 A identificação de Miguel com Cristo é uma conclusão construída pela comparação desses textos, e não uma afirmação explícita de um único versículo. Miguel assim, é o nome associado a Cristo como Príncipe celestial; Arcanjo é o título que destaca Sua supremacia sobre os exércitos angelicais.

 A Encarnação do Deus Filho

As Escrituras revelam que – “mesmo existindo na forma de Deus, [O Deus Filho] não considerou o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo. Pelo contrário, ele se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos seres humanos. E, reconhecido em figura humana, ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” Filipenses 2:6-8.

 Assim a encarnação foi a segunda experiência de “humilhação” que Deus se permitiu por amor às Suas criaturas. Jesus se tornou Arcanjo para se revelar aos anjos; e se tornou humano para se revelar a nós seres humanos.

 As Escrituras revelam – “Jesus foi feito semelhante aos irmãos e sofreu tentações, permanecendo o misericordioso e fiel...” Hb 2:17,18. “Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna” Hb 5:8–9.

 Se tornando um de nós, Jesus tinha dois grandes objetivos no Plano da Salvação – se tornar um ser humano obediente e ser nosso substituto, morrendo em nosso lugar.

 A vida Perfeita e Obediente do Deus Filho

Jesus viveu durante 30 anos uma vida perfeita, sem pecado, e obediente para que os humanos fossem beneficiados com Sua justiça.

 A Bíblia revela que “Ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” Hb 4:15; viveu como “santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores” Hb 7:26; “Cristo [...] a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus” Hb 9:14; “não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca” 1Pd 2:22; ofereceu como “seu precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” 1Pd 1:18,19; era “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós” 2Co 5:21. E o grande plano foi que “Ele se manifestou para tirar os pecados, e nele não existe pecado” 1Jo 3:5; Ele mesmo afirmou “Quem dentre vós me convence de pecado?” João 8:46, admitindo Sua natureza Divina.

Esses textos estabelecem diretamente a impecabilidade de Cristo, isto é, que Ele não cometeu pecado. A impecabilidade, entendida tecnicamente como a escolha de Cristo não pecar, é uma garantia de Justiça aos humanos.

 A partir dessa impecabilidade e da Sua obediência perfeita é revelado que – “por meio da obediência de um só [Deus Filho], muitos se tornarão justos” Romanos 5:19. Esse é o processo pelo qual Deus declara os seres humanos justos. Nós não possuímos atos justos, pois nossa natureza pecaminosa nos impede disso. Assim Deus nos declara justos, ao confiarmos no perdão oferecido por Cristo.

 Assim somos “justificados mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo” Romanos 5:1. A “paz com Deus” aqui indicada é porque fomos declarados justos e não somos mais pecadores, e inimigos de Deus. Fomo aceitos pelo Pai, por causa da obediência de Jesus e da Sua vida sem pecado. Jesus nos concede Sua vida perfeita e Sua justiça.

 Mas o Deus Espírito não nos deixa apenas como justos “declarados”, Ele nos transforma em pessoas justas, inserindo em nós as Suas virtudes (Gl 5:22,23). Assim além da justificação, nós humanos experienciamos a santificação.

 Todas essas experiências são possíveis porque Jesus viveu uma vida santa em nosso favor.

 A Morte Substituinte do Deus Filho

A humanidade de Cristo ainda tinha o objetivo de que Ele fosse o nosso substituto na sentença da morte eterna. O eterno mandamento da Lei de Deus – “Certamente morrerás” Gn 2:7 – tinha essa sentença que Jesus assumiu em nosso lugar. No dia em que Adão e Eva, os primeiros humanos deveriam morrer, Jesus assumiu em promessa morrer no lugar dos humanos ao oferecer a simbologia, e o ritual estabelecido da morte dos cordeiros (Gn 3:21).

 Assim Jesus, o Cordeiro de Deus (Jo 1:29 e 36) se encarnou para morrer no lugar dos humanos, como os rituais cerimoniais ensinarão durante mais de mil anos. E o NT ensina que – “não pelo sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue... pelo Espírito eterno, a si mesmo ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!” Hb 9:12, 14.

 O evangelho explica – “sabendo isto: que a nossa velha natureza foi crucificada com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sejamos mais escravos do pecado. Pois quem morreu está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele.

 O evangelho ainda nos fala do amor envolvido – “Deus amou ... de tal maneira, que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crer, não pereça mas tenha a vida eterna” Jo 3:16.

 A Ressurreição do Deus Filho

As Escrituras revelam a relação da ressurreição de Jesus com nossa experiência hoje – “como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós andemos em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição... Sabemos que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.  Assim também vocês considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus” Romanos 6:4,5, 9,11.

 A morte de Jesus é a garantia da morte da velha natureza humana de pecado. E a ressurreição de Jesus é a certeza que viveremos para Deus em “novidade de vida”. O poder da ressurreição de Jesus, se manifesta na transformação dos crentes em santidade; e mais tarde na glorificação final desses mesmos crentes em incorruptibilidade (1Co 15:51).

O Ministério de Jesus no Céu

A última etapa do trabalho de Jesus no Plano Salvação é Seu serviço celestial no santuário do céu – “temos tal sumo sacerdote, que se assentou à direita do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo” Hebreus 8:1,2.

A última etapa do esforço do Deus filho em salvar a humanidade, consiste em aplicar tudo que Ele conquistou, em ajudar os humanos em os tornar justos e santos.

 As Escrituras descrevem assim esse trabalho de Jesus – “Tendo, pois, Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que adentrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão.

Porque temos [um] sumo sacerdote que [pode] se compadecer das nossas fraquezas... Ele foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Portanto, aproximemo-nos do trono da graça com confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça para ajuda em momento oportuno” Hebreus 4:14-16.

 Jesus pode nos ajudar em nossas fraquezas e pode nos socorrer para nossa salvação.

 Conclusão

A cruz não é o único esforço que Jesus fez para nos salvar.

O Evangelho eterno nos revela que antes da cruz houve a criação, a humilhação em se tornar um Anjo (que lutou em nosso favor), houve a encarnação, e somente aí a morte de cruz.

 Mas o esforço titânico de Jesus continuou ao ressuscitar e trazer experiências grandiosas aos crentes; e mais ainda ao exercer Seu ministério no céu, nos levando gradualmente a justificação e santificação.

 "Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória e o louvor. Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro sejam o louvor, a honra, a glória e o domínio para todo o sempre" Ap 5:12,13

O GRANDE EQUÍVOCO

O incidente do equívoco de Guilherme Miller em ter confundido a profecia de Daniel 8:14, imaginando ser a Segunda Vinda de Jesus, não foi o maior dos equívocos.

O maior equívoco ocorre em nossos dias quando adventistas associam a data de 22 de Outubro de 1844, ainda ao episódio do “grande desapontamento”. Esse não foi o evento propriamente dito que ocorreu nessa data. 

O erro dos mileritas não deve ser associado a essa data. Mas é isso que muitos adventistas, e a maioria dos teólogos fazem – relacionar a data ao “desapontamento”, enquanto que algo grandioso estava acontecendo no céu. Esse é o grande equívoco atual, maior que o equívoco de Miller.

Nem irei mencionar o fato de que estudiosos adventistas e não adventistas questionam essa data, como sendo o cumprimento real da profecia de Daniel 8:14, ou que seja a data anti-típica do 10º dia sétimo mês de Levítico 19:26. (Veja o artigo A Doutrina do Santuário foi inventada para explicar 1844?

 O que importa é que algo grandioso ocorreu no ano de 1844, e isso está relacionado a Jesus Cristo, e não a nenhum ser humano; ou está relacionado a algo factível e não importa se foi em Setembro ou Outubro, como alguns teólogos argumentam.

 O Erro Maior

Um equívoco mais desastroso ainda está a ocorrer em nossos dias quando se está minimizando o evento celestial devido a esses dois questionamentos – o erro de Miller, e a incerteza da data. 

O que é infinitamente maior – o ministério de Jesus no tempo do juízo – está sendo colocado de lado. No entanto esse ensino do ministério celestial de Cristo é a mensagem do juízo, precisa ser lembrado e colocado diante de toda a humanidade (Ap 14:6,7).

Durante décadas essa data (22 de Outubro) foi apresentada de uma forma negativa, sendo lembrada como o “grande desapontamento” dos mileritas. Essa foi uma ação incompreensível, pois o foco deveria estar no que Cristo estava realizando, e não no que pioneiros vivenciaram.

Essa abordagem negativa, e inapropriada, criou uma experiência frustrante na mente de muitos crentes, e um argumento para os críticos da igreja adventista. E o evento triunfante de Jesus no santuário celestial está sendo deixado de ser celebrado e relembrado.

Mais um grande equívoco está em andamento em nossos dias, que é tirar o evento e a data de 22 de Outubro da memória dos membros da igreja, substituindo por assuntos secundários. 

O ensino bíblico do Ministério de Cristo na Sala Santíssima do Santuário Celestial, foi substituído pelo que é chamado atualmente de “Sábado da Criação”. No terceiro sábado de Outubro, que se celebrava a data de 22 de Outubro, como memória do evento celestial, atualmente, é apresentado outro tema bíblico que não se relaciona ao ministério de Cristo, ou ao santuário celestial.

 Teoria ou fato

Em nossos dias muito se fala em “teorias da conspiração”. Mas por vezes é o que parece estar acontecendo também com a “verdade presente” e doutrinas distintivas da igreja adventista.

Existe um esforço acadêmico em relação a identidade adventista, mas ao mesmo tempo um abandono de certos posicionamentos históricos-proféticos como a data de 22 de Outubro de 1844, o ministério de Jesus no Santuário Celestial, a reforma de saúde, a interpretação do ‘número da besta’, a pregação da 2ª e 3ª mensagens angélicas e o dom do Espírito de Profecia.

Esses são ensinos que deveriam estar na agenda anual da igreja, mas estão cada vez mais sendo ignorados. O que está acontecendo?

 Reavivamento e Reforma

Os adventistas são os herdeiros da reforma protestante, e isso é incontestável na crença entre os membros e estudiosos da igreja. Precisamos reavivar as doutrinas que foram esquecidas ou ignoradas, e uma reforma administrativa precisa priorizar a verdade presente.

Esse esforço deve começar individualmente com cada membro, mas deve subir aos níveis mais altos da igreja. Não podemos permitir que a agenda profética que conhecemos tão bem, seja esquecida ou ignorada.

 Esse reavivamento deve começar com a vida pessoa de cada membro, assumindo a crença no Espírito de Profecia, dando ouvido a Testemunha Fiel e Verdadeira que é Cristo (Ap 3:14); cada membro deve ainda assumir a Reforma de Saúde, como crença de que é templo do Deus Espírito (1Co 3:16); nos púlpitos se deve retomar a Memória do Ministério de Cristo no Santuário Celestial, na data histórica que conhecemos; e ainda a igreja deve assumir a pregação profética da 2ª e 3ª mensagens angélicas. Essa é uma reforma que precisa ser feita de forma urgente.

 Conclusão

O equívoco em nossos dias atuais, em deixar de relembrar fatos importantes e fundamentais, precisa ser corrigido.

A primeira das doutrinas e crenças adventistas é do Ministério de Jesus na Sala Santíssima do Santuário Celestial. O juízo investigativo que é executado ali, deve ser anunciado a todo o mundo. O juízo precede a segunda vinda de Jesus; a pregação do juízo deve preceder a pregação do aparecimento de Cristo.

Que nossa agenda eclesiástica seja a agenda profética da Revelação; que nossa vida seja pautada pelos Conselhos da Testemunha Fiel e Verdadeira no Espírito de Profecia.

O SÁBADO NÃO É ABSOLUTO?

O vídeo acima de um pastor argumentando com um membro leigo adventista, trouxe mais desculpas para não se guardar o sábado bíblico. Essa postagem tem o objetivo de responder os argumentos desse pastor, mas de forma bíblica.

 O primeiro argumento

O pastor começa o seu argumento dizendo – “eu vejo que o sábado...”. Aqui reside o problema da maioria dos argumentos contra o sábado; são interpretações individuais. 

O sábado é mencionado mais de 160 vezes na Bíblia e o primeiro dia da semana, o domingo, é mencionado apenas 8 vezes, no relato da ressurreição, mas nesses oito textos nenhum deles santifica esse dia pelo fato de Jesus ter ressuscitado nele.

 A leitura individual desse pastor já começa com o erro de fazer distinção do AT e NT. Para ele o sábado no AT é Lei, e no NT apesar de ser lei, não seria absoluto. Mas esse é um grande equívoco dividir a revelação da Palavra de Deus em Antigo e Novo. Essa divisão é humana, e foi feita para fins didáticos, mas se tronou uma tradição teológica.

 A própria Bíblia declara de si mesma – “Toda a escritura é divinamente inspirada por Deus e útil para ensino...” 2Timoteo 3:16. Quando Paulo escreveu “toda escritura” só existiam o evangelho de Marcos, e algumas cartas de Paulo como sendo o NT. Paulo se referia ao “todo” da escritura basicamente incluindo o AT.

 O que o AT ensina sobre o sábado – sua santidade, e mandamento literal a ser guardado, é mandamento da mesma forma no NT.

 O segundo argumento

O pastor segue dizendo que “o sábado é lei mas não absoluto”, e assim contradiz o próprio Jesus em seus ensino. A mulher adventista argumentou muito bem lembrando Mateus 5:17-19 “Não pensem que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, mas para cumprir. Porque em verdade lhes digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que desrespeitar um destes mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazer o mesmo, será considerado mínimo no Reino dos Céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no Reino dos Céus”.

 O sábado não mudou nem um “i” e nem um “til”. O sétimo dia deve ser observado exatamente como está em Êxodo 20:8-11 – “Lembre-se do dia de sábado, para o santificar. Seis dias você trabalhará e fará toda a sua obra, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor, seu Deus. Não faça nenhum trabalho nesse dia, nem você, nem o seu filho, nem a sua filha, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu animal, nem o estrangeiro das suas portas para dentro. Porque em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou” Êxodo 20:8b-11.

 Jesus guardou o sábado estritamente como está no mandamento que Ele mesmo havia escrito como sua própria letra (Êxodo 31:18). O que Jesus não fez foi obedecer aos mandamentos rabínicos que proibiam cura, se alimentar, carregar, andar livremente, cuidar de animais etc. A Hallakah era a tradição oral dos rabis, que comentava a lei, e estipulava “mandamentos” para que o sábado não fosse transgredido. Eram essas imposições rabínicas que Jesus combatia e não seguia.

 Jesus disse sobre essas regras rabínicas que eram impostas ao povo – “E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos humanos. "Rejeitando o mandamento de Deus, vocês guardam a tradição humana. E disse-lhes ainda: — Vocês sempre encontram uma maneira de rejeitar o mandamento de Deus para guardarem a própria tradição” Marcos 7:7-9.

O que o pastor argumenta como razão de que Jesus não teria guardado absolutamente o sábado, mas relativizado essa guarda, são referências a regras rabínicas, e não ao mandamento em si. O pastor talvez desconheça as regras rabínicas que existiam como tradição oral, e que mais tarde se tornaram a Mishnah, o comentário escrito da lei, feito pelos rabis.

 O pastor cita um argumento de Jesus – “vocês não leram na Lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo profanam o sábado e ficam sem culpa?” Mateus 12:5b.

Davi, os sacerdotes e os discípulos prestavam serviço ligado a uma obra comissionada por Deus. O serviço era sagrado e estava compatível com a santidade do sábado – esse é o argumento de Jesus.

Isso não era uma licença geral para ignorar a lei: o argumento diz respeito à missão de Jesus e à necessidade dos discípulos nesse contexto.

A Torá (Lei) ordenava serviços do templo no sábado; esses serviços eram considerados legítimos. Jesus então invoca o templo e afirma que ali está alguém “maior que o templo” (Mt 12:6). Se o serviço sacerdotal no sábado era permitido, o serviço ligado à missão de Jesus também não devia ser condenado como profanação. No caso concreto, os discípulos sequer estavam realizando uma colheita: apenas pegavam o que comeriam. Novamante as regras rabínicas proibiam descarcar, debulhar etc, mas o mandamento de Êxodo 20 restringe o trabalho, e não as ações para se alimentar.

 Sendo assim o argumento do pastor do vídeo é falho, e desconhece alguns fundamentos históricos do texto que ele cita.

 Terceiro argumento

O pastor diz – “Jesus curou (no sábado) e ficou sem culpa”. Jesus realizou sete curas sabáticas. E várias dessas curas Jesus explica – “é licito” (Marcos 3:4; Lucas 6:9; Lucas 14:3; Mateus 12:10–13; Lucas 13:15–16). O termo “lícito” é do âmbito da Lei; a lei permitia a cura. Novamente a discussão de Jesus era sobre as regras rabínicas que restrinjiam a cura no dia de sábado. Há um episódio sobre esse ponto da regra rabínica – “O chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses dias para serdes curados e não no sábado.” Lucas 13:14.

 Jesus argumenta que é “lícito”, ou a lei permitia. Não era trabalho e não afetava a lei. Sendo assim Jesus curou sim no sábado, mas isso não foi argumento contra o próprio sábado.

 Quarto argumento

O pastor diz – “Ele disse pra mim, que Ele, Jesus, era o Senhor do sábado”. Jesus é Senhor do sétimo dia por que Ele, como Criador criou. Jesus redigiu a própria lei e o quarto mandamento.

 Por ser Senhor do sábado, isso não significa que tenha abolido, modificado, atenuado ou substituído. O senhorio de Jesus deveria causar reverência e adoração, e não relativização como esse pastor faz com o mandamento.

 Jesus, como Senhor do sábado estava na Sinagoga aos sábados – “Num sábado, entrou na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler” Lucas 4:16b. “E Jesus foi a Cafarnaum, cidade da Galileia, e os ensinava no sábado” Lucas 4:31.

 Será que o pastor do vídeo está na sua igreja aos sábados como Jesus. Será que o pastor está ensinando seus membros aos sábados, como era costume de Jesus?

 Relativizar o sábado é atenuar os ensinos e o próprio exemplo de Jesus.

 Quinto argumento

O pastor diz – “O mesmo Jesus do NT, diz que se eu for até ele eu encontro o shabat”.

Aqui há uma impropriação teológica por parte do pastor.

Em Gênesis, shabat destaca a cessação de uma obra concluída. O texto não apresenta Deus se recuperando de esgotamento: ele contempla uma criação terminada, abençoa o sétimo dia e o santifica. A ênfase inclui conclusão, bênção e santidade do tempo.

 Já em Mateus, o descanso é oferecido a quem está cansado e sobrecarregado e acontece no relacionamento com Jesus: “venham a mim”, “aprendam de mim”, “tomem sobre vocês o meu jugo” (Mt 11:28–30). É descanso dentro do discipulado, dentro do âmbito da obra da salvação.

 Admitir que Jesus oferece um descanso Nele, e que isso me exime de descansar no sábado.    Ou que a minha fé descansa em Cristo e isso basta como guardar o sábado, e mirabolismo interpretativo.

 Em Cristo há descanso, mas das obras de salvação. O fato de eu estar salvo em Cristo, pela fé, através de Sua graça, não exclui a minha obediência de parar de trabalhar no sábado e santificar esse dia, estando na igreja, adorando a Deus e o louvando.

 Sexto argumento

O pastor continua dizendo – “Hebreus 4 diz que ainda falta um sábado – a vida eterna”.

O carro foi colocado na frente dos bois. O sábado é sim símbolo do descanso que devemos tem em Cristo, e do descanso da vida eterna, mas isso não exclui o mandamento, ou relativiza sua guarda.

 “O descanso escatológico é semelhante ao sábado, mas não o substitui; eles não são incompatíveis.” O descanso de Deus na criação em Hebreus 4:10 apresenta como modelo para o descanso dos crentes. A palavra sabbatismós, em 4:9, caracteriza esse descanso como sabático. Para ele, a experiência da salvação, iniciada pela fé e consumada no futuro, amplia o significado do descanso sem eliminar a observância do sétimo dia. O sábado ilustra a salvação; a salvação não torna o sábado desnecessário.

 A essência do termo grego katápausis está ligada ilustrativamente ao sábado, especialmente no sentido da cessação de Deus de sua criação. Há uma distinção do sábado semanal do descanso mais amplo oferecido em Cristo. O argumento é que os crentes podem entrar nesse descanso “hoje”, pela fé, em qualquer dia, aproximando-se de Deus mediante o ministério celestial de Jesus. Contudo, o descanso do sétimo dia continua sendo a referência que explica essa experiência: cessar, confiar e desfrutar a presença divina. O sentido afirma expressamente que esse uso espiritual do sábado não significa sua relativização.

 Hebreus enfatiza que a observância do sábado permanece para o povo de Deus (4:9). O termo grego sabbatismós designa a observância do sábado e que Hebreus 4:10 identifica Deus como aquele cujo descanso deve ser imitado: assim como Deus cessou suas obras no primeiro sábado, o povo de Deus é convidado a descansar.

 Setimo argumento

O pasto diz – “Jesus é meu descanso eterno, e em Jesus eu cumpro o sábado”.

Jesus realmente é a fonte do nosso descanso e da nossa salvação. Entretanto, disso não decorre que descansar em Cristo substitua a santificação do sétimo dia.

Mas onde a Bíblia diz que esse descanso substitui a santificação do sétimo dia? Mateus 11 Jesus nos oferece o descanso espiritual do discipulado. Hebreus 4 relaciona nossa fé ao descanso de Deus na criação. Por isso, guardo o sábado como expressão de confiança no Criador e Salvador: interrompo minhas atividades para desfrutar sua presença. Descansar em Jesus dá sentido à minha observância do sábado.

 Derivar de que Jesus ofereceu seu descanso e que isso anularia o descanso sabático é uma mirabolante interpretação.

 O descanso do sábado é um descanso físico para os seis dias semanais. Trata-se do descanso do trabalho semanal, daí o mandamento afirmar – “nenhum trabalho fareis” Êxodo 20:10.

Seria interessante saber do pastor se ele trabalho sete dias da semana, pelo fato de ter a promessa do descanso em Cristo.

 São duas coisas diferentes e que foram interpretadas conjuntamente, mas de forma indevida. Aprendia na faculdade de teologia que o nome disso é ‘eixegese’ ou uma interpretação pessoal, sem a hermenêutica devida.

 Oitavo argumento

“Paulo disse em Colossenses que isso (o sábado) seria sombra”.

O pastor cita o texto de Colossenses 2:16–17 — “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.”

 Note que o termo está no plural – “sábados” – se referindo aos sábados cerimoniais. Esse texto se refere especificamente aos preceitos cerimoniais da lei – festas, sacrifícios, cerimonias e rituais. Haviam primariamente 7 sábados cerimoniais, que eram os sábados das 7 festas.

 Mas o sábado semanal, estabelecido na criação, não entra nessa discussão de Paulo. O sábado semanal é antes do pecado; é antes da necessidade da lei cerimonial. A lei cerimonial era sim sombra de bens vindouros – da salvação de Cristo. Mas o sábado semanal, memorial da criação não faz parte disso.

 Confundir os sábados cerimoniais como o sábado semanal é um erro primário. Mas compreensível para leigos, mas não para acadêmicos.

 Conclusão

O sábado semanal do sétimo dia é um memorial eterno. O profeta Isaias nos lembra sobre os dias da eternidade ao dizer – “Porque, assim como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante de mim", diz o Senhor, "assim também estão diante de mim a posteridade e o nome de vocês. De uma Festa da Lua Nova à outra e de um sábado a outro, toda a humanidade virá adorar diante de mim", diz o Senhor” Isaías 66:22b,23.

 Essa é uma profecia sobre os novos céus e nova terra, e continuaremos adorar a Deus, vindo diante Dele. Estaremos no descanso eterno, mas nem por isso o profeta diz que estaremos livres de ir diante de Deus.

 Que Deus nos ilumine a fim de não sermos desencaminhados por falácias ou equívocos de interpretações pessoais.

JUSTIFICAÇÃO E SANTIFICAÇÃO NO SANTUÁRIO CELESTIAL

As duas experiências fundamentais para os cristãos alcançarem a vida eterna, são realidades que saem do santuário do céu, para os humanos na Terra. Todos os humanos podem experienciar a justificação e santificação.

 No capítulo da carta aos crentes de Éfeso, foi explicitado como isso ocorre – “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais ... em amor nos predestinou para ele, para sermos adotados como seus filhos, por meio de Jesus Cristo... Nele temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós ... Em Cristo fomos também feitos herança, predestinados ... receberam o selo do Espírito Santo da promessa. O Espírito é a garantia da nossa herança, até o resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.” Efésios 1:3-14. Todos os humanos foram predestinados para serem justificados e santificados.

 A experiencia da Justificação

 A experiencia da justificação e santificação é o esforço da Divindade em fazer os seres humanos retornarem “a imagem e semelhança” do Criador novamente (Gn 1:26).

 A justificação ocorre quando os que creem em Jesus, se dirigem a Ele em oração confessando seus pecados, pedindo o arrependimento verdadeiro, e assim são perdoados.

 Mas Jesus não apenas perdoa, Ele os declara justos. Essa declaração é importante porque os humanos ainda continuam com uma natureza pecaminosa, que os imputa pensamentos e desejos maus. Mas mediante sua fé em Cristo, Jesus os declara justos.

 O que é a declaração de justiça? Ela é uma promessa baseada na fé destes que confiaram em Seu Salvador, Jesus Cristo. A promessa é que “por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos”. Romanos 5:19b | NAA. Ou seja, a vida perfeita de Jesus, sem pecado; Sua obediência perfeita e plena, é agora atribuída aos que creram Nele.

 Os pecadores arrependidos, agora justos, são portadores de uma declaração de justiça, proferida pelo próprio Pai – “Este é o meu filho amado em quem Eu me agrado” Mt 3:17. Essa declaração foi feita sobre um Jesus sem pecado durante seu batismo. Mas representa o que é declarado sobre todos os que se submetem ao batismo como pecadores.

 É dessa forma que somos reconciliados com Deus – “Justificados mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo” Romanos 5:1 | NAA. Estamos em paz Com o Pai, apesar de termo uma natureza pecaminosa contrária à Sua criação original. Fomos reconciliados porque Jesus nos concedeu Sua justiça e atribuiu a nós a Sua obediência perfeita. E a garantia disso é o Deus Espírito em nós.

 A Experiência da Santificação

 A santificação é uma experiência do Deus Espírito em nós; nos aproximando o máximo possível da “Imagem e semelhança” original (Gn 1:26). Mesmo que a natureza pecaminosa que ainda reside em nós, tente sabotar a santificação, a justiça de Jesus é o contra-ponto que nos mantém justos.

 Essa é a justiça comunicada, que o Deus Espírito nos oferece através das 9 virtudes que implanta em cada crente (Gl 5:22,23). Essas virtudes vão sendo inseridas no caráter do crente e controlam seu temperamento e personalidade.

 As sabotagens constantes da natureza pecaminosa não impedem o progresso, porque a fé se agarra na esperança da transformação final, quando “o ressoar da última trombeta ... os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade e o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra…” 1 Coríntios 15:52b-54.

 A santificação é uma experiência subliminar, entre uma existência terrena com uma natureza pecaminosa irrompente, e a promessa de uma transformação gradual que só no final será “incorruptível”.

 Você precisa crer nisso. Não olhe para a natureza pecaminosa. Contemple a promessa da incorruptibilidade. “Ohando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus” Hebreus 12:2ª. E “pela contemplação seremos transformados” GC 555.1.

 “Não olhem para vocês mesmos, mas olhem a Cristo. Aquele que curou os enfermos e expulsou demônios quando andava entre os homens, é ainda o mesmo poderoso Redentor. Agarrem às Suas promessas como folhas da árvore da vida: “O que vem a Mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (Jo 6:37). Ao irem a Ele, creiam que vos aceitará, porque vos tem prometido. Nunca podereis perecer enquanto assim fizerem – nunca” CBV 66.1

 Conclusão

Todo o Céu está ativamente empenhado na obra de preparar um povo para a segunda vinda de Cristo. SC 64.6. O próprio Ministério de Jesus no Santuário Celestial é em favor dos que creem Nele para os salvar.

 “Tendo, pois, Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que adentrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque temos [um] sumo sacerdote que [pode] se compadecer das nossas fraquezas... Ele foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.  Portanto, aproximemo-nos do trono da graça com confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça para ajuda em momento oportuno” Hebreus 4:14-16.

 Diante desse grandioso tema preciso me perguntar:

Estou ciente de minha fraqueza?

Tenho consciência de que preciso me aproximar de Jesus no Santuário Celestial?

Sinto que preciso ser socorrido?

Minha vida de oração é uma realidade para encontrar graça e ajuda em tempo oportuno?

 Faça essas perguntas a si mesmo.

O QUE JESUS FAZ EXATAMENTE HOJE

 

A doutrina bíblica do santuário ensina que a obra de Cristo não terminou na cruz. Na cruz, Jesus ofereceu o sacrifício perfeito e suficiente pelo pecado; depois de ressuscitar e ascender, passou a aplicar os benefícios desse sacrifício como nosso Sumo Sacerdote. 

Segundo a compreensão adventista de Daniel 7:9,10,13, Hebreus 8–9 e do antítipo do Dia da Expiação de Levítico 16, Cristo exerce atualmente a fase final de Seu ministério no santuário celestial.


Ellen G. White descreve essa obra afirmando que Cristo entrou no Lugar Santíssimo para realizar “os últimos atos de Seu ministério em prol do homem”, incluindo o juízo investigativo e a expiação em favor daqueles que se mostram participantes de seus benefícios.


Jesus trabalha hoje no Lugar Santíssimo do santuário celestial


No Dia da Expiação, descrito em Levítico 16, o sumo sacerdote entrava no Lugar Santíssimo com sangue, comparecia diante da presença de Deus e realizava uma obra de purificação que envolvia o povo e o próprio santuário.


Esse ritual funcionava como tipo de uma realidade maior.


Segundo O Grande Conflito, Cristo, nosso verdadeiro Sumo Sacerdote, comparece diante do Pai no tribunal celestial. Daniel 7:9–10 apresenta o Ancião de Dias assentado, os livros abertos e miríades de anjos presentes; então o Filho do Homem Se aproxima do Ancião de Dias (Dn 7:13).


Assim, o trabalho atual de Cristo inclui pelo menos três funções inseparáveis:

Sumo Sacerdote, porque ministra em favor do povo;

Advogado, porque representa os arrependidos diante de Deus;

Juiz juntamente com o Pai, porque participa da resolução final do problema do pecado.


Ellen White resume: Jesus aparece como “Advogado” daqueles que confiaram nEle e pleiteia em favor deles diante de Deus.


Portanto, o Lugar Santíssimo não deve ser imaginado como um ambiente de inatividade celestial. É o centro atual da obra sacerdotal e judicial de Cristo.


Jesus realiza a obra de apagar os pecados dos registros


Uma distinção importante precisa ser feita entre perdão e apagamento final do registro do pecado.


Quando o pecador se arrepende, confessa e aceita Cristo, ele recebe perdão. A culpa não permanece contra ele como se Cristo ainda não tivesse perdoado.


Entretanto, na linguagem do juízo, permanece um registro histórico da vida, relacionado aos “livros” apresentados em Daniel 7:10 e Apocalipse 20:12.


Ellen White afirma que “os livros de registro no Céu” participam da decisão do juízo.


Quando o caso de uma pessoa é examinado e fica demonstrado que ela permaneceu em Cristo, os pecados já confessados e perdoados são apagados dos registros.


Por isso, O Grande Conflito diferencia implicitamente: confissão → perdão;

juízo → confirmação da relação salvadora com Cristo; apagamento → remoção definitiva do registro dos pecados perdoados.


Ellen White relaciona esse apagamento à obra anterior à segunda vinda e cita Atos 3:19–20: “Arrependei-vos… para que sejam apagados os vossos pecados.”


Isso significa que o juízo não existe para descobrir algo que Deus desconhece. Ele manifesta diante do universo a justiça da decisão divina de salvar aqueles que estão em Cristo.


Enquanto Jesus atua no Céu, Ele perdoa, justifica e santifica o crente na Terra


O ministério celestial de Cristo possui consequências presentes na experiência do cristão.


Quando alguém se arrepende e confessa seus pecados, Cristo aplica a eficácia de Seu sacrifício. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar” (1Jo 1:9).


O crente é perdoado porque o sangue já foi derramado. É justificado porque a justiça de Cristo é colocada em seu favor.


E entra em um processo de santificação porque o mesmo Cristo que perdoa também transforma.


O Dia da Expiação, portanto, não possui apenas uma obra no Céu. Existe uma obra correspondente na Terra.


Enquanto o santuário é purificado no Céu, o povo de Deus passa por uma obra de purificação espiritual na Terra.


Ellen White escreve que, enquanto o juízo investigativo prossegue e os pecados dos crentes arrependidos são removidos, deve haver entre o povo de Deus “uma obra especial de purificação” e afastamento do pecado. 


Isso não significa salvação por perfeição humana. Cristo continua sendo o fundamento da justificação, da intercessão e da vitória sobre o pecado. E essa vitória sobre o pecado é mais uma decisão, do que ausência da natureza pecaminosa. A extirpação dessa natureza corrompida é uma ato final na Segunda Vinda de Jesus (1Co 15:53,54).


Ellen White afirma que Jesus apresenta em favor do pecador Suas mãos feridas e declara: “A Minha graça te basta.” Assim:

Cristo perdoa o passado;

justifica o pecador arrependido;

intercede no presente;

concede graça para transformação;

e prepara o crente para a vida eterna.


Como os casos são decididos


No ritual de Levítico 16, não participava do benefício do Dia da Expiação alguém que deliberadamente rejeitasse o caminho estabelecido por Deus.


Ellen White aplica esse princípio ao juízo celestial: “somente os casos daqueles que professaram pertencer ao povo de Deus entram nessa fase do julgamento.”


Ao abrir-se o registro de uma vida, não é simplesmente perguntado:

“Essa pessoa pecou?”

Se essa fosse a única questão, ninguém seria salvo.

A questão essencial é: 

O que essa pessoa fez com seus pecados e com Cristo?

Ela os reconheceu?

Arrependeu-se?

Confessou-os?

Aceitou o perdão?

Permaneceu pela fé em Cristo?


Por isso, as orações de confissão possuem enorme importância, mas não funcionam como uma fórmula jurídica automática. Elas são a expressão de uma relação real de arrependimento e fé.


Ellen White afirma que, no serviço típico, participavam do Dia da Expiação aqueles que haviam comparecido diante de Deus com “confissão e arrependimento”.


Ela também afirma:

“Cada nome é mencionado, cada caso investigado.”

E acrescenta que, quando permanecem nos registros pecados dos quais não houve arrependimento nem perdão, o nome não permanece no livro da vida. 


Portanto, não são pecados confessados que condenam o crente. São pecados os retidos, acariciados, não confessados e não abandonados, evidenciando rejeição persistente da graça.


Cristo, porém, atua em favor do arrependido. O mesmo tribunal que revela a seriedade do pecado revela também a eficácia da graça.


A “aflição de alma” no Dia da Expiação


Levítico ordenava: “afligireis a vossa alma” (Lv 16:29; 23:27).


Isso não significava autoflagelação, penitência física ou tentativa de conquistar o favor divino.


A expressão descrevia uma postura de profunda humildade, arrependimento, exame interior e dependência de Deus.


Enquanto o sumo sacerdote ministrava dentro do santuário, o povo não permanecia espiritualmente indiferente do lado de fora.


Havia uma correspondência entre: o que o sacerdote fazia no santuário e a postura espiritual do povo fora dele.


Ellen White aplica diretamente esse princípio ao presente:

“Vivemos hoje no grande dia da expiação.”

E explica que “afligir a alma” significa tristeza pelo pecado, verdadeiro arrependimento e “exame de coração, profundo e fiel”.


Portanto, viver no Dia da Expiação antitípico não significa viver aterrorizado. Significa viver com seriedade espiritual. A postura apropriada inclui:

confissão sincera;

abandono consciente do pecado;

oração;

humildade;

reconciliação;

vigilância;

dependência da graça de Cristo.


A questão não é: “Sou suficientemente perfeito para enfrentar o juízo?” A questão é “Estou permitindo que Cristo trate aquilo que Seu Espírito revela em minha vida?”


A aflição da alma não é desespero. É arrependimento profundo na presença de um Sumo Sacerdote misericordioso.


O juízo é individual

Ellen White enfatiza que a obra é profundamente pessoal. Não somos julgados como uma massa indiferenciada.


Cada caso é considerado individualmente.

“A obra de preparação é uma obra individual. Não somos salvos em grupos.”


Deus examina cada pessoa com um escrutínio tão pessoal como se não existisse outro ser humano na Terra.


Isso torna o Dia da Expiação ao mesmo tempo solene e ministerial. Solene, porque nenhuma aparência religiosa substitui uma relação genuína com Cristo. Ministerial, porque cada pessoa possui acesso direto ao Sacerdócio de Cristo.


O cristão não comparece sozinho diante do tribunal. Jesus está ali. 


Cristo não procura motivos para condenar, mas representa o arrependido


Esse ponto precisa ser enfatizado. O juízo investigativo não deve ser imaginado como Jesus tentando convencer um Pai relutante a não condenar seres humanos.


Pai e Filho estão unidos no propósito de salvar.


Cristo aparece como advogado porque Sua obra demonstra a legitimidade da salvação do arrependido. Ele apresenta: Seu sangue; Sua justiça; Sua morte; Sua vida perfeita; Sua mediação.


Portanto, o fundamento da absolvição não é:

“Eu nunca pequei.” É: “Eu confiei no perdão e na justiça de Cristo.”


O crente não enfrenta o juízo fundamentado em sua própria justiça, mas na justiça daquele que o representa.


O apagamento definitivo do pecado


Quando um caso é decidido favoravelmente, os pecados arrependidos, confessados e perdoados não permanecem eternamente no registro como acusação contra o salvo.


Eles são apagados. Essa é a contraparte celestial da purificação do santuário em Levítico 16.


No tipo, ao final do serviço, os pecados eram removidos do santuário e colocados sobre o bode emissário.


No antítipo, segundo Ellen White, depois de concluída a obra de Cristo, a responsabilidade final pelos pecados dos redimidos será colocada sobre Satanás, “o originador e instigador do pecado”. 


Isso não significa que Satanás realiza expiação. Somente Cristo expia o pecado mediante Seu sangue.


O bode emissário representa a responsabilidade final do instigador do pecado e sua eliminação do universo.


Assim, Levítico 16 termina não apenas com perdão, mas com remoção do pecado do acampamento. Nos nossos dias, a remoção do pecado da igreja.


Da mesma maneira, o plano da salvação termina não apenas com pecadores perdoados, mas com um universo finalmente livre do pecado.


O último caso será decidido


A obra não continuará indefinidamente. Segundo o livro O Grande Conflito, chegará o momento em que o último caso terá sido examinado. Então o juízo investigativo terminará.


Ellen White declara:

“Quando se encerrar a obra do juízo de investigação, o destino de todos terá sido decidido.”

Ela acrescenta que isso acontece pouco antes da manifestação de Cristo nas nuvens.


Apocalipse 22:11 expressa essa condição final “Quem é injusto faça injustiça ainda… e quem é santo seja santificado ainda.”


Essa declaração indica que as decisões se tornaram irreversíveis.


Não porque Deus tenha arbitrariamente decidido impedir alguém de arrepender-se, mas porque cada ser humano terá finalmente consolidado sua resposta à graça divina.


A porta da graça se fecha porque a obra mediadora chegou ao seu término.


Jesus então encerra Seu ministério sacerdotal


No Dia da Expiação terrestre, o sumo sacerdote não permanecia para sempre no Lugar Santíssimo. Ele terminava a obra e saía para o povo. Esse movimento possui enorme significado cristológico.


O livro de Hebreus diz: “Cristo… aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que O aguardam para a salvação” (Hb 9:28).


Ellen White estabelece diretamente o paralelo:

“No culto típico, o sumo sacerdote, havendo feito expiação por Israel, saía e abençoava a congregação.”

Da mesma maneira, Cristo, “no final de Sua obra de mediador”, aparecerá para conceder vida eterna aos que O aguardam. 


A sequência final é, portanto: último caso decidido → juízo investigativo encerrado → tempo da graça encerrado → ministério intercessório concluído → sentença final pronunciada → Cristo deixa o santuário → retorna à Terra → ressurreição e glorificação dos salvos.


Apocalipse 22:12 conecta precisamente o fim do juízo à Segunda Vinda:


“Eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras.” Cristo retorna com o prêmio porque os casos já foram decididos.


O que Jesus está fazendo hoje?


Assim, dentro da tipologia de Levítico 16 e da interpretação apresentada no capítulo 28 de O Grande Conflito, podemos responder diretamente:


Hoje Jesus está diante do Pai no santuário celestial como nosso Sumo Sacerdote, Mediador e Advogado.


Ele aplica os méritos de Seu sacrifício. Ele perdoa o pecador que se arrepende. Justifica aquele que confia em Sua justiça. Concede graça para santificação. Representa o arrependido diante do tribunal celestial. Examina-se o registro da vida.


Os pecados confessados e perdoados são apagados na conclusão favorável do caso. Os nomes daqueles que permanecem em Cristo são confirmados no livro da vida.


E essa obra caminha para um momento final em que o último caso será decidido. Enquanto isso acontece no Céu, a pergunta correspondente na Terra não deveria ser apenas: “Em que etapa está o juízo?” Mas: “O que Cristo está procurando realizar em mim enquanto ministra por mim?”


O Dia da Expiação possui dois movimentos simultâneos:

no Céu — Cristo purifica o santuário e conduz o juízo;

na Terra — Cristo purifica um povo que se arrepende, confia, abandona o pecado e permanece nEle.


É por isso que Ellen White conclui essa seção de maneira tão solene:

“O juízo ora se realiza no santuário celestial.”

E, diante dessa realidade, sua orientação não é especular sobre qual nome está sendo examinado, mas: “Vigiai e orai.”


O objetivo final do ministério de Cristo não é apenas apagar registros. É apagar o próprio pecado da experiência de Seu povo e, finalmente, do universo.


Quando essa obra estiver concluída, o Sumo Sacerdote sairá do santuário.


E aquele que hoje aparece diante do Pai por nós (Hb 9:24) aparecerá então diante de nós para salvação (Hb 9:28).


A distinção teológica central é esta: perdão ocorre quando o pecador se arrepende e confessa; apagamento é a remoção judicial definitiva dos pecados perdoados no contexto do juízo. Isso evita a impressão de que o cristão permanece sem perdão até seu caso ser examinado no tribunal celestial.