As Festas Juninas, como são conhecidas hoje no Brasil, resultam da combinação de antigas festividades europeias do solstício de verão com tradições cristãs promovidas pela Igreja Católica durante a Idade Média.
Origem pré-cristã
Muito antes do cristianismo,
diversos povos da Europa celebravam o solstício de verão no hemisfério norte
(entre 20 e 24 de junho). Essas celebrações marcavam o período de colheita e
fertilidade da terra.
Ou seja elas são resultado do
sincretismo do paganismo com o cristianismo que ocorreu a partir do 4º século
da era cristã. A união do império romano como o cristianismo causou essa tolerância
com a cultura dos pagãos e a adesão de muito de seus hábitos e costumes. O que
realmente houve foi a “cristianização” da cultura dos ‘pagãos’ romanos, gregos
e indo-europeus.
Entre os costumes das que
marcavam o período de colheita e fertilidade da terra estavam: Acender
fogueiras; Dançar em rodas; Realizar procissões pelos campos; Celebrar a
fertilidade da terra e dos animais; Fazer refeições comunitárias. Povos celtas,
germânicos e romanos possuíam festivais semelhantes ligados ao ciclo agrícola.
Cristianização pela Igreja
Católica
Com a expansão do cristianismo na
Europa, a Igreja Católica procurou substituir ou ressignificar muitas festas
pagãs. Em vez de eliminar completamente essas celebrações populares,
associou-as a datas cristãs.
As festividades passaram a
homenagear três santos importantes: São João Batista — 24 de junho. Santo
Antônio — 13 de junho. São Pedro — 29 de junho. Por isso, inicialmente eram
chamadas de "Festas Joaninas" (em referência a São João). Com o
tempo, passaram a ser conhecidas como "Juninas", por ocorrerem
durante o mês de junho.
A fogueira de São João
Segundo uma tradição católica
medieval baseada em Lucas 1, Isabel teria avisado Maria sobre o nascimento de
João Batista por meio de uma fogueira acesa em uma colina. Embora essa história
não esteja na Bíblia, tornou-se uma tradição popular e ajudou a explicar a
presença das fogueiras nas festas dedicadas a São João.
Chegada ao Brasil
As Festas Juninas chegaram ao
Brasil com os portugueses durante o período colonial. A cultura católica romana
era fortemente expansiva e com finalidade de evangelização. Mas essas ações
eram maleáveis ao ponto de se adequar aos costumes do povo colonizado.
Aqui no Brasil elas incorporaram
elementos de diferentes culturas: Portuguesa (devoção aos santos e procissões).
Indígena (alimentos derivados do milho e da mandioca). Africana (ritmos, danças
e elementos culturais diversos).
Por isso, as festas brasileiras
adquiriram características próprias, especialmente no Nordeste.
Elementos tipicamente católicos
Historicamente, vários elementos
das Festas Juninas têm origem na religiosidade popular católica: Novenas de
Santo Antônio. Procissões. Orações aos santos. Mastros com imagens dos santos. Promessas
e votos religiosos. Casamentos realizados em honra aos santos. Esses casamentos
eram devido a proximidade da festa do dia 13 de Junho, dedicada a Santo
Antônio.
Em muitas cidades do interior, as
celebrações das Festas Juninas ainda começam com missas e procissões.
O que diz a história?
Os historiadores geralmente
concordam que a festa junina não nasceu dentro da Igreja Católica. Ela tem
raízes em antigas celebrações agrícolas e do solstício dos povos pagãos e que o
sincretismo do cristianismo com o império romano, resultou no que temos hoje. A
Igreja Católica incorporou essas festividades ao calendário cristão. E os
santos juninos forneceram uma nova interpretação religiosa para costumes já
existentes.
Assim, as Festas Juninas são um
exemplo clássico de sincretismo histórico: práticas populares antigas foram
reinterpretadas e integradas à tradição cristã medieval, chegando ao Brasil
através da colonização portuguesa e adquirindo características culturais
próprias.
Qual o efeito desse sincretismo
O resultado do sincretismo do 4º século
foi a corrupção do cristianismo apostólico que sofreu a alteração de suas
principais doutrinas. Por exemplo, a descentralização da figura de Cristo para
a de ‘santos católicos’; a elevação do status dos bispos para serem substitutos
de Cristo; a adoção das imagens; a mudança do sábado para o domingo etc.
Esse sincretismo sempre terá a
tendência de corromper os cristãos. No caso de hoje, de cristãos protestantes
que participam das festas juninas, elas acabam com ‘unir’ a cultura religiosa
que deveria ser muito distinta.
A igreja católica tem uma
doutrina muito frouxa em relação ao comportamento e hábitos de seus membros, e
assim as festas juninas são agregadas de muitos elementos culturais que ferem
os princípios cristãos bíblicos; por exemplo o uso de álcool, as músicas,
alimentação insalubre, comportamentos sexuais inadequados etc.
Como as festas juninas são muito
populares entre as crianças e promovidas nas escolas, toda essa cultura não
cristã e anti-biblica acaba alcançando a mente e o comportamento dos nossos
filhos. Isso é muito grave!
Cultura brasileira
A festa junina no Brasil agregou o
estilo de vida rural tão apreciado do nosso país. Esse aspecto é um lado saudável
da cultura brasileira – a culinária natural, a confraternização, o estilo de
vida do campo, a socialização do povo interiorano – são elementos bons em si
mesmos.
Esse aspecto os cristãos
perceberam e fizeram a sua versão para celebrar essa cultura brasileira e
interiorana. Se criou a festa caipira, festa do milho etc. Há algum mal nisso?
Se as festas organizadas pelas
comunidades cristãs não adotam os elementos católicos e nem a cultura que chamamos
de ‘mundana’ ou descrente, e valoriza cultura boa e saudável, não há mal ou
pecado. Mas participar das festas diretamente ligadas a igreja católica é
sincretismo. Por mais que as diferenças religiosas não devam causar tensões, os
protestantes devem saber seus limites e valorizar suas próprias crenças e
cultura que são sagradas.
Cultura adventista
Os adventistas tem na sua
história o estilo de vida dos pioneiros da igreja que eram pessoas rurais e
campestres. A igreja adventista promove fortemente que os crentes procurem ter
uma vida fora das grandes cidades e no campo.
A cultura alimentar adventista
promove fortemente uma alimentação natural, tão característica da vida rural e ‘caipira’.
As festas dessa época do ano, são muito elementares ao estilo de vida
adventista.
Embora os adventistas se
considerem ‘herdeiros da reforma’ protestante, devemos ser os primeiros a
evitar o sincretismo religioso e secular. No entanto a igreja promove
fortemente a sociabilização e as relações comunitárias como meio de alcançar
pessoas para Cristo. O lema adventista é que “todo cristão nasce no reino de
Deus um missionário” (SC 7.9).
E as festas, sejam elas caipiras,
o natal, o ano novo, são excelentes ocasiões para aproximar as pessoas da nossa
própria cultura e celebrar a cultura do nosso país de forma saudável e lúcida.
Conclusão
Ainda hoje devemos evitar o
sincretismo religioso, mas sem nos afastar das pessoas. A relação social é o veículo
do evangelho para que a verdade bíblica seja compartilhada.
Para isso nossas próprias festas
caipiras devem ser promovidas como opção às crianças de jovens e para
sociabilização.
Celebrar o estilo de vida rural e
a cultura gastronômica simples e saudável do interior, já faz parte de nossas
crenças. E isso é bom.
O conselho bíblico é – “Finalmente,
irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo,
tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma
virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” Filipenses
4:8. Que sejam assim nossas festas de época.







