O GRANDE EQUÍVOCO

O incidente do equívoco de Guilherme Miller em ter confundido a profecia de Daniel 8:14, imaginando ser a Segunda Vinda de Jesus, não foi o maior dos equívocos.

 O maior equívoco ocorre em nossos dias quando adventistas associam a data de 22 de Outubro de 1844, ainda ao episódio do “grande desapontamento”. Isso não foi o evento propriamente dito que ocorreu nessa data. 

O erro dos mileritas não deve ser associado a essa data. Mas é isso que muitos adventistas, e a maioria dos teólogos fazem – relacionar a data ao “desapontamento”, enquanto que algo grandioso estava acontecendo. Esse é o grande equívoco atual, maior que o equívoco de Miller.

 Nem irei mencionar o fato de que estudiosos adventistas e não adventistas questionarem essa data, como sendo o cumprimento real da profecia de Daniel 8:14, ou ser a data anti-típica do 10º dia sétimo mês de Levítico 19:26. (Veja o artigo A Doutrina do Santuário foi inventada para explicar 1844?

 O que importa é que algo grandioso ocorreu no ano de 1844, e isso está relacionado a Jesus Cristo, e não a nenhum ser humano; ou está relacionado a algo factível e não importa se foi em Setembro ou Outubro, como alguns teólogos argumental

 O Erro Maior

Um equívoco mais desastroso ocorre em nossos dias quando está sendo minimizado o evento celestial devido a esses dois questionamentos – o erro de Miller, e a incerteza da data. O que é infinitamente maior – o fato de algo importantíssimo para a conclusão do Plano da Salvação ter ocorrido – está sendo colocado de lado. No entanto o ensino do ministério celestial de Cristo, precisa ser lembrado e colocado diante de toda a humanidade.

 Durante décadas essa data foi apresentado de uma forma negativa, e lembrado como o “grande desapontamento” dos mileritas. Essa foi uma ação incompreensível, pois o foco deveria estar no que Cristo estava realizando, e não no que pioneiros vivenciaram. Essa abordagem negativa, e inapropriada, criou uma experiência frustrante na mente de muitas pessoas, e um argumento para os críticos da igreja adventista. E o evento triunfante de Jesus no santuário celestial está sendo deixado de ser celebrado e relembrado.

 Outro grande equívoco está em andamento em nossos dias, que é tirar o evento e a data de 22 de Outubro da memória dos membros da igreja, substituindo por assuntos secundários. 

O ensino bíblico do Ministério de Cristo na Sala Santíssima do Santuário Celestial, foi substituído pelo que é chamado de “Sábado da Criação”. No terceiro sábado de Outubro, que se celebrava a data de 22 de Outubro, como memória do evento celestial, atualmente, é apresentado outro tema bíblico que não se relaciona ao ministério de Cristo, ou ao santuário celestial.

 Teoria ou fato

Em nossos dias muito se fala em “teorias da conspiração”. Mas por vezes é o que parece estar acontecendo também com a “verdade presente” e doutrinas distintivas da igreja adventista.

Existe um esforço acadêmico em relação a identidade adventista, mas ao mesmo tempo um abandono de certos posicionamentos históricos como a data de 22 de Outubro de 1844, o ministério de Jesus no Santuário Celestial, a reforma de saúde, a interpretação do ‘número da besta’, a pregação da 2ª e 3ª mensagens angélicas e o dom do Espírito de Profecia.

 Esses são ensinos que deveriam estar na agenda anual da igreja, mas estão cada vez mais sendo ignorados. O que está acontecendo?

 Reavivamento e Reforma

Os adventistas são os herdeiros da reforma protestante, e isso é incontestável na crença entre os membros e estudiosos da igreja. Precisamos reavivar as doutrinas que foram esquecidas ou ignoradas, e uma reforma administrativa precisa priorizar a verdade presente.

 Esse esforço deve começar individualmente com cada membro, mas deve subir aos níveis mais altos da igreja. Não podemos permitir que a agenda profética que conhecemos tão bem seja esquecida ou ignorada.

 Esse reavivamento deve começar com a vida pessoa de cada membro, assumindo a crença no Espírito de Profecia, dando ouvido a Testemunha Fiel e Verdadeira que é Cristo (Ap 3:14); cada membro deve ainda assumir a Reforma de Saúde, como crença de que é templo do Deus Espírito (1Co 3:16); nos púlpitos se deve retomar a Memória do Ministério de Cristo no Santuário Celestial, na data histórica que conhecemos; e ainda a igreja deve assumir a pregação profética da 2ª e 3ª mensagens angélicas. Essa é uma reforma que precisa ser feita de forma urgente.

 Conclusão

O equívoco em nossos dias atuais, em deixar de relembrar fatos importantes e fundamentais, precisa ser corrigido. A primeira das doutrinas e crenças adventistas é do Ministério de Jesus na Sala Santíssima do Santuário Celestial. O juízo investigativo que é executado ali, deve ser anunciado a todo o mundo. O juízo precede a segunda vinda de Jesus; a pregação do juízo deve preceder a pregação do aparecimento de Cristo.

Que nossa agenda eclesiástica seja a agenda profética da Revelação; que nossa vida seja pautada pelos Conselhos da Testemunha Fiel e Verdadeira no Espírito de Profecia.

O SÁBADO NÃO É ABSOLUTO?

O vídeo acima de um pastor argumentando com um membro leigo adventista, trouxe mais desculpas para não se guardar o sábado bíblico. Essa postagem tem o objetivo de responder os argumentos desse pastor, mas de forma bíblica.

 O primeiro argumento

O pastor começa o seu argumento dizendo – “eu vejo que o sábado...”. Aqui reside o problema da maioria dos argumentos contra o sábado; são interpretações individuais. 

O sábado é mencionado mais de 160 vezes na Bíblia e o primeiro dia da semana, o domingo, é mencionado apenas 8 vezes, no relato da ressurreição, mas nesses oito textos nenhum deles santifica esse dia pelo fato de Jesus ter ressuscitado nele.

 A leitura individual desse pastor já começa com o erro de fazer distinção do AT e NT. Para ele o sábado no AT é Lei, e no NT apesar de ser lei, não seria absoluto. Mas esse é um grande equívoco dividir a revelação da Palavra de Deus em Antigo e Novo. Essa divisão é humana, e foi feita para fins didáticos, mas se tronou uma tradição teológica.

 A própria Bíblia declara de si mesma – “Toda a escritura é divinamente inspirada por Deus e útil para ensino...” 2Timoteo 3:16. Quando Paulo escreveu “toda escritura” só existiam o evangelho de Marcos, e algumas cartas de Paulo como sendo o NT. Paulo se referia ao “todo” da escritura basicamente incluindo o AT.

 O que o AT ensina sobre o sábado – sua santidade, e mandamento literal a ser guardado, é mandamento da mesma forma no NT.

 O segundo argumento

O pastor segue dizendo que “o sábado é lei mas não absoluto”, e assim contradiz o próprio Jesus em seus ensino. A mulher adventista argumentou muito bem lembrando Mateus 5:17-19 “Não pensem que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, mas para cumprir. Porque em verdade lhes digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que desrespeitar um destes mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazer o mesmo, será considerado mínimo no Reino dos Céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no Reino dos Céus”.

 O sábado não mudou nem um “i” e nem um “til”. O sétimo dia deve ser observado exatamente como está em Êxodo 20:8-11 – “Lembre-se do dia de sábado, para o santificar. Seis dias você trabalhará e fará toda a sua obra, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor, seu Deus. Não faça nenhum trabalho nesse dia, nem você, nem o seu filho, nem a sua filha, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu animal, nem o estrangeiro das suas portas para dentro. Porque em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou” Êxodo 20:8b-11.

 Jesus guardou o sábado estritamente como está no mandamento que Ele mesmo havia escrito como sua própria letra (Êxodo 31:18). O que Jesus não fez foi obedecer aos mandamentos rabínicos que proibiam cura, se alimentar, carregar, andar livremente, cuidar de animais etc. A Hallakah era a tradição oral dos rabis, que comentava a lei, e estipulava “mandamentos” para que o sábado não fosse transgredido. Eram essas imposições rabínicas que Jesus combatia e não seguia.

 Jesus disse sobre essas regras rabínicas que eram impostas ao povo – “E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos humanos. "Rejeitando o mandamento de Deus, vocês guardam a tradição humana. E disse-lhes ainda: — Vocês sempre encontram uma maneira de rejeitar o mandamento de Deus para guardarem a própria tradição” Marcos 7:7-9.

O que o pastor argumenta como razão de que Jesus não teria guardado absolutamente o sábado, mas relativizado essa guarda, são referências a regras rabínicas, e não ao mandamento em si. O pastor talvez desconheça as regras rabínicas que existiam como tradição oral, e que mais tarde se tornaram a Mishnah, o comentário escrito da lei, feito pelos rabis.

 O pastor cita um argumento de Jesus – “vocês não leram na Lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo profanam o sábado e ficam sem culpa?” Mateus 12:5b.

Davi, os sacerdotes e os discípulos prestavam serviço ligado a uma obra comissionada por Deus. O serviço era sagrado e estava compatível com a santidade do sábado – esse é o argumento de Jesus.

Isso não era uma licença geral para ignorar a lei: o argumento diz respeito à missão de Jesus e à necessidade dos discípulos nesse contexto.

A Torá (Lei) ordenava serviços do templo no sábado; esses serviços eram considerados legítimos. Jesus então invoca o templo e afirma que ali está alguém “maior que o templo” (Mt 12:6). Se o serviço sacerdotal no sábado era permitido, o serviço ligado à missão de Jesus também não devia ser condenado como profanação. No caso concreto, os discípulos sequer estavam realizando uma colheita: apenas pegavam o que comeriam. Novamante as regras rabínicas proibiam descarcar, debulhar etc, mas o mandamento de Êxodo 20 restringe o trabalho, e não as ações para se alimentar.

 Sendo assim o argumento do pastor do vídeo é falho, e desconhece alguns fundamentos históricos do texto que ele cita.

 Terceiro argumento

O pastor diz – “Jesus curou (no sábado) e ficou sem culpa”. Jesus realizou sete curas sabáticas. E várias dessas curas Jesus explica – “é licito” (Marcos 3:4; Lucas 6:9; Lucas 14:3; Mateus 12:10–13; Lucas 13:15–16). O termo “lícito” é do âmbito da Lei; a lei permitia a cura. Novamente a discussão de Jesus era sobre as regras rabínicas que restrinjiam a cura no dia de sábado. Há um episódio sobre esse ponto da regra rabínica – “O chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses dias para serdes curados e não no sábado.” Lucas 13:14.

 Jesus argumenta que é “lícito”, ou a lei permitia. Não era trabalho e não afetava a lei. Sendo assim Jesus curou sim no sábado, mas isso não foi argumento contra o próprio sábado.

 Quarto argumento

O pastor diz – “Ele disse pra mim, que Ele, Jesus, era o Senhor do sábado”. Jesus é Senhor do sétimo dia por que Ele, como Criador criou. Jesus redigiu a própria lei e o quarto mandamento.

 Por ser Senhor do sábado, isso não significa que tenha abolido, modificado, atenuado ou substituído. O senhorio de Jesus deveria causar reverência e adoração, e não relativização como esse pastor faz com o mandamento.

 Jesus, como Senhor do sábado estava na Sinagoga aos sábados – “Num sábado, entrou na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler” Lucas 4:16b. “E Jesus foi a Cafarnaum, cidade da Galileia, e os ensinava no sábado” Lucas 4:31.

 Será que o pastor do vídeo está na sua igreja aos sábados como Jesus. Será que o pastor está ensinando seus membros aos sábados, como era costume de Jesus?

 Relativizar o sábado é atenuar os ensinos e o próprio exemplo de Jesus.

 Quinto argumento

O pastor diz – “O mesmo Jesus do NT, diz que se eu for até ele eu encontro o shabat”.

Aqui há uma impropriação teológica por parte do pastor.

Em Gênesis, shabat destaca a cessação de uma obra concluída. O texto não apresenta Deus se recuperando de esgotamento: ele contempla uma criação terminada, abençoa o sétimo dia e o santifica. A ênfase inclui conclusão, bênção e santidade do tempo.

 Já em Mateus, o descanso é oferecido a quem está cansado e sobrecarregado e acontece no relacionamento com Jesus: “venham a mim”, “aprendam de mim”, “tomem sobre vocês o meu jugo” (Mt 11:28–30). É descanso dentro do discipulado, dentro do âmbito da obra da salvação.

 Admitir que Jesus oferece um descanso Nele, e que isso me exime de descansar no sábado.    Ou que a minha fé descansa em Cristo e isso basta como guardar o sábado, e mirabolismo interpretativo.

 Em Cristo há descanso, mas das obras de salvação. O fato de eu estar salvo em Cristo, pela fé, através de Sua graça, não exclui a minha obediência de parar de trabalhar no sábado e santificar esse dia, estando na igreja, adorando a Deus e o louvando.

 Sexto argumento

O pastor continua dizendo – “Hebreus 4 diz que ainda falta um sábado – a vida eterna”.

O carro foi colocado na frente dos bois. O sábado é sim símbolo do descanso que devemos tem em Cristo, e do descanso da vida eterna, mas isso não exclui o mandamento, ou relativiza sua guarda.

 “O descanso escatológico é semelhante ao sábado, mas não o substitui; eles não são incompatíveis.” O descanso de Deus na criação em Hebreus 4:10 apresenta como modelo para o descanso dos crentes. A palavra sabbatismós, em 4:9, caracteriza esse descanso como sabático. Para ele, a experiência da salvação, iniciada pela fé e consumada no futuro, amplia o significado do descanso sem eliminar a observância do sétimo dia. O sábado ilustra a salvação; a salvação não torna o sábado desnecessário.

 A essência do termo grego katápausis está ligada ilustrativamente ao sábado, especialmente no sentido da cessação de Deus de sua criação. Há uma distinção do sábado semanal do descanso mais amplo oferecido em Cristo. O argumento é que os crentes podem entrar nesse descanso “hoje”, pela fé, em qualquer dia, aproximando-se de Deus mediante o ministério celestial de Jesus. Contudo, o descanso do sétimo dia continua sendo a referência que explica essa experiência: cessar, confiar e desfrutar a presença divina. O sentido afirma expressamente que esse uso espiritual do sábado não significa sua relativização.

 Hebreus enfatiza que a observância do sábado permanece para o povo de Deus (4:9). O termo grego sabbatismós designa a observância do sábado e que Hebreus 4:10 identifica Deus como aquele cujo descanso deve ser imitado: assim como Deus cessou suas obras no primeiro sábado, o povo de Deus é convidado a descansar.

 Setimo argumento

O pasto diz – “Jesus é meu descanso eterno, e em Jesus eu cumpro o sábado”.

Jesus realmente é a fonte do nosso descanso e da nossa salvação. Entretanto, disso não decorre que descansar em Cristo substitua a santificação do sétimo dia.

Mas onde a Bíblia diz que esse descanso substitui a santificação do sétimo dia? Mateus 11 Jesus nos oferece o descanso espiritual do discipulado. Hebreus 4 relaciona nossa fé ao descanso de Deus na criação. Por isso, guardo o sábado como expressão de confiança no Criador e Salvador: interrompo minhas atividades para desfrutar sua presença. Descansar em Jesus dá sentido à minha observância do sábado.

 Derivar de que Jesus ofereceu seu descanso e que isso anularia o descanso sabático é uma mirabolante interpretação.

 O descanso do sábado é um descanso físico para os seis dias semanais. Trata-se do descanso do trabalho semanal, daí o mandamento afirmar – “nenhum trabalho fareis” Êxodo 20:10.

Seria interessante saber do pastor se ele trabalho sete dias da semana, pelo fato de ter a promessa do descanso em Cristo.

 São duas coisas diferentes e que foram interpretadas conjuntamente, mas de forma indevida. Aprendia na faculdade de teologia que o nome disso é ‘eixegese’ ou uma interpretação pessoal, sem a hermenêutica devida.

 Oitavo argumento

“Paulo disse em Colossenses que isso (o sábado) seria sombra”.

O pastor cita o texto de Colossenses 2:16–17 — “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.”

 Note que o termo está no plural – “sábados” – se referindo aos sábados cerimoniais. Esse texto se refere especificamente aos preceitos cerimoniais da lei – festas, sacrifícios, cerimonias e rituais. Haviam primariamente 7 sábados cerimoniais, que eram os sábados das 7 festas.

 Mas o sábado semanal, estabelecido na criação, não entra nessa discussão de Paulo. O sábado semanal é antes do pecado; é antes da necessidade da lei cerimonial. A lei cerimonial era sim sombra de bens vindouros – da salvação de Cristo. Mas o sábado semanal, memorial da criação não faz parte disso.

 Confundir os sábados cerimoniais como o sábado semanal é um erro primário. Mas compreensível para leigos, mas não para acadêmicos.

 Conclusão

O sábado semanal do sétimo dia é um memorial eterno. O profeta Isaias nos lembra sobre os dias da eternidade ao dizer – “Porque, assim como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante de mim", diz o Senhor, "assim também estão diante de mim a posteridade e o nome de vocês. De uma Festa da Lua Nova à outra e de um sábado a outro, toda a humanidade virá adorar diante de mim", diz o Senhor” Isaías 66:22b,23.

 Essa é uma profecia sobre os novos céus e nova terra, e continuaremos adorar a Deus, vindo diante Dele. Estaremos no descanso eterno, mas nem por isso o profeta diz que estaremos livres de ir diante de Deus.

 Que Deus nos ilumine a fim de não sermos desencaminhados por falácias ou equívocos de interpretações pessoais.

JUSTIFICAÇÃO E SANTIFICAÇÃO NO SANTUÁRIO CELESTIAL

As duas experiências fundamentais para os cristãos alcançarem a vida eterna, são realidades que saem do santuário do céu, para os humanos na Terra. Todos os humanos podem experienciar a justificação e santificação.

 No capítulo da carta aos crentes de Éfeso, foi explicitado como isso ocorre – “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais ... em amor nos predestinou para ele, para sermos adotados como seus filhos, por meio de Jesus Cristo... Nele temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós ... Em Cristo fomos também feitos herança, predestinados ... receberam o selo do Espírito Santo da promessa. O Espírito é a garantia da nossa herança, até o resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.” Efésios 1:3-14. Todos os humanos foram predestinados para serem justificados e santificados.

 A experiencia da Justificação

 A experiencia da justificação e santificação é o esforço da Divindade em fazer os seres humanos retornarem “a imagem e semelhança” do Criador novamente (Gn 1:26).

 A justificação ocorre quando os que creem em Jesus, se dirigem a Ele em oração confessando seus pecados, pedindo o arrependimento verdadeiro, e assim são perdoados.

 Mas Jesus não apenas perdoa, Ele os declara justos. Essa declaração é importante porque os humanos ainda continuam com uma natureza pecaminosa, que os imputa pensamentos e desejos maus. Mas mediante sua fé em Cristo, Jesus os declara justos.

 O que é a declaração de justiça? Ela é uma promessa baseada na fé destes que confiaram em Seu Salvador, Jesus Cristo. A promessa é que “por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos”. Romanos 5:19b | NAA. Ou seja, a vida perfeita de Jesus, sem pecado; Sua obediência perfeita e plena, é agora atribuída aos que creram Nele.

 Os pecadores arrependidos, agora justos, são portadores de uma declaração de justiça, proferida pelo próprio Pai – “Este é o meu filho amado em quem Eu me agrado” Mt 3:17. Essa declaração foi feita sobre um Jesus sem pecado durante seu batismo. Mas representa o que é declarado sobre todos os que se submetem ao batismo como pecadores.

 É dessa forma que somos reconciliados com Deus – “Justificados mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo” Romanos 5:1 | NAA. Estamos em paz Com o Pai, apesar de termo uma natureza pecaminosa contrária à Sua criação original. Fomos reconciliados porque Jesus nos concedeu Sua justiça e atribuiu a nós a Sua obediência perfeita. E a garantia disso é o Deus Espírito em nós.

 A Experiência da Santificação

 A santificação é uma experiência do Deus Espírito em nós; nos aproximando o máximo possível da “Imagem e semelhança” original (Gn 1:26). Mesmo que a natureza pecaminosa que ainda reside em nós, tente sabotar a santificação, a justiça de Jesus é o contra-ponto que nos mantém justos.

 Essa é a justiça comunicada, que o Deus Espírito nos oferece através das 9 virtudes que implanta em cada crente (Gl 5:22,23). Essas virtudes vão sendo inseridas no caráter do crente e controlam seu temperamento e personalidade.

 As sabotagens constantes da natureza pecaminosa não impedem o progresso, porque a fé se agarra na esperança da transformação final, quando “o ressoar da última trombeta ... os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade e o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra…” 1 Coríntios 15:52b-54.

 A santificação é uma experiência subliminar, entre uma existência terrena com uma natureza pecaminosa irrompente, e a promessa de uma transformação gradual que só no final será “incorruptível”.

 Você precisa crer nisso. Não olhe para a natureza pecaminosa. Contemple a promessa da incorruptibilidade. “Ohando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus” Hebreus 12:2ª. E “pela contemplação seremos transformados” GC 555.1.

 “Não olhem para vocês mesmos, mas olhem a Cristo. Aquele que curou os enfermos e expulsou demônios quando andava entre os homens, é ainda o mesmo poderoso Redentor. Agarrem às Suas promessas como folhas da árvore da vida: “O que vem a Mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (Jo 6:37). Ao irem a Ele, creiam que vos aceitará, porque vos tem prometido. Nunca podereis perecer enquanto assim fizerem – nunca” CBV 66.1

 Conclusão

Todo o Céu está ativamente empenhado na obra de preparar um povo para a segunda vinda de Cristo. SC 64.6. O próprio Ministério de Jesus no Santuário Celestial é em favor dos que creem Nele para os salvar.

 “Tendo, pois, Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que adentrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque temos [um] sumo sacerdote que [pode] se compadecer das nossas fraquezas... Ele foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.  Portanto, aproximemo-nos do trono da graça com confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça para ajuda em momento oportuno” Hebreus 4:14-16.

 Diante desse grandioso tema preciso me perguntar:

Estou ciente de minha fraqueza?

Tenho consciência de que preciso me aproximar de Jesus no Santuário Celestial?

Sinto que preciso ser socorrido?

Minha vida de oração é uma realidade para encontrar graça e ajuda em tempo oportuno?

 Faça essas perguntas a si mesmo.

O QUE JESUS FAZ EXATAMENTE HOJE

 

A doutrina bíblica do santuário ensina que a obra de Cristo não terminou na cruz. Na cruz, Jesus ofereceu o sacrifício perfeito e suficiente pelo pecado; depois de ressuscitar e ascender, passou a aplicar os benefícios desse sacrifício como nosso Sumo Sacerdote. 

Segundo a compreensão adventista de Daniel 7:9,10,13, Hebreus 8–9 e do antítipo do Dia da Expiação de Levítico 16, Cristo exerce atualmente a fase final de Seu ministério no santuário celestial.


Ellen G. White descreve essa obra afirmando que Cristo entrou no Lugar Santíssimo para realizar “os últimos atos de Seu ministério em prol do homem”, incluindo o juízo investigativo e a expiação em favor daqueles que se mostram participantes de seus benefícios.


Jesus trabalha hoje no Lugar Santíssimo do santuário celestial


No Dia da Expiação, descrito em Levítico 16, o sumo sacerdote entrava no Lugar Santíssimo com sangue, comparecia diante da presença de Deus e realizava uma obra de purificação que envolvia o povo e o próprio santuário.


Esse ritual funcionava como tipo de uma realidade maior.


Segundo O Grande Conflito, Cristo, nosso verdadeiro Sumo Sacerdote, comparece diante do Pai no tribunal celestial. Daniel 7:9–10 apresenta o Ancião de Dias assentado, os livros abertos e miríades de anjos presentes; então o Filho do Homem Se aproxima do Ancião de Dias (Dn 7:13).


Assim, o trabalho atual de Cristo inclui pelo menos três funções inseparáveis:

Sumo Sacerdote, porque ministra em favor do povo;

Advogado, porque representa os arrependidos diante de Deus;

Juiz juntamente com o Pai, porque participa da resolução final do problema do pecado.


Ellen White resume: Jesus aparece como “Advogado” daqueles que confiaram nEle e pleiteia em favor deles diante de Deus.


Portanto, o Lugar Santíssimo não deve ser imaginado como um ambiente de inatividade celestial. É o centro atual da obra sacerdotal e judicial de Cristo.


Jesus realiza a obra de apagar os pecados dos registros


Uma distinção importante precisa ser feita entre perdão e apagamento final do registro do pecado.


Quando o pecador se arrepende, confessa e aceita Cristo, ele recebe perdão. A culpa não permanece contra ele como se Cristo ainda não tivesse perdoado.


Entretanto, na linguagem do juízo, permanece um registro histórico da vida, relacionado aos “livros” apresentados em Daniel 7:10 e Apocalipse 20:12.


Ellen White afirma que “os livros de registro no Céu” participam da decisão do juízo.


Quando o caso de uma pessoa é examinado e fica demonstrado que ela permaneceu em Cristo, os pecados já confessados e perdoados são apagados dos registros.


Por isso, O Grande Conflito diferencia implicitamente: confissão → perdão;

juízo → confirmação da relação salvadora com Cristo; apagamento → remoção definitiva do registro dos pecados perdoados.


Ellen White relaciona esse apagamento à obra anterior à segunda vinda e cita Atos 3:19–20: “Arrependei-vos… para que sejam apagados os vossos pecados.”


Isso significa que o juízo não existe para descobrir algo que Deus desconhece. Ele manifesta diante do universo a justiça da decisão divina de salvar aqueles que estão em Cristo.


Enquanto Jesus atua no Céu, Ele perdoa, justifica e santifica o crente na Terra


O ministério celestial de Cristo possui consequências presentes na experiência do cristão.


Quando alguém se arrepende e confessa seus pecados, Cristo aplica a eficácia de Seu sacrifício. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar” (1Jo 1:9).


O crente é perdoado porque o sangue já foi derramado. É justificado porque a justiça de Cristo é colocada em seu favor.


E entra em um processo de santificação porque o mesmo Cristo que perdoa também transforma.


O Dia da Expiação, portanto, não possui apenas uma obra no Céu. Existe uma obra correspondente na Terra.


Enquanto o santuário é purificado no Céu, o povo de Deus passa por uma obra de purificação espiritual na Terra.


Ellen White escreve que, enquanto o juízo investigativo prossegue e os pecados dos crentes arrependidos são removidos, deve haver entre o povo de Deus “uma obra especial de purificação” e afastamento do pecado. 


Isso não significa salvação por perfeição humana. Cristo continua sendo o fundamento da justificação, da intercessão e da vitória sobre o pecado. E essa vitória sobre o pecado é mais uma decisão, do que ausência da natureza pecaminosa. A extirpação dessa natureza corrompida é uma ato final na Segunda Vinda de Jesus (1Co 15:53,54).


Ellen White afirma que Jesus apresenta em favor do pecador Suas mãos feridas e declara: “A Minha graça te basta.” Assim:

Cristo perdoa o passado;

justifica o pecador arrependido;

intercede no presente;

concede graça para transformação;

e prepara o crente para a vida eterna.


Como os casos são decididos


No ritual de Levítico 16, não participava do benefício do Dia da Expiação alguém que deliberadamente rejeitasse o caminho estabelecido por Deus.


Ellen White aplica esse princípio ao juízo celestial: “somente os casos daqueles que professaram pertencer ao povo de Deus entram nessa fase do julgamento.”


Ao abrir-se o registro de uma vida, não é simplesmente perguntado:

“Essa pessoa pecou?”

Se essa fosse a única questão, ninguém seria salvo.

A questão essencial é: 

O que essa pessoa fez com seus pecados e com Cristo?

Ela os reconheceu?

Arrependeu-se?

Confessou-os?

Aceitou o perdão?

Permaneceu pela fé em Cristo?


Por isso, as orações de confissão possuem enorme importância, mas não funcionam como uma fórmula jurídica automática. Elas são a expressão de uma relação real de arrependimento e fé.


Ellen White afirma que, no serviço típico, participavam do Dia da Expiação aqueles que haviam comparecido diante de Deus com “confissão e arrependimento”.


Ela também afirma:

“Cada nome é mencionado, cada caso investigado.”

E acrescenta que, quando permanecem nos registros pecados dos quais não houve arrependimento nem perdão, o nome não permanece no livro da vida. 


Portanto, não são pecados confessados que condenam o crente. São pecados os retidos, acariciados, não confessados e não abandonados, evidenciando rejeição persistente da graça.


Cristo, porém, atua em favor do arrependido. O mesmo tribunal que revela a seriedade do pecado revela também a eficácia da graça.


A “aflição de alma” no Dia da Expiação


Levítico ordenava: “afligireis a vossa alma” (Lv 16:29; 23:27).


Isso não significava autoflagelação, penitência física ou tentativa de conquistar o favor divino.


A expressão descrevia uma postura de profunda humildade, arrependimento, exame interior e dependência de Deus.


Enquanto o sumo sacerdote ministrava dentro do santuário, o povo não permanecia espiritualmente indiferente do lado de fora.


Havia uma correspondência entre: o que o sacerdote fazia no santuário e a postura espiritual do povo fora dele.


Ellen White aplica diretamente esse princípio ao presente:

“Vivemos hoje no grande dia da expiação.”

E explica que “afligir a alma” significa tristeza pelo pecado, verdadeiro arrependimento e “exame de coração, profundo e fiel”.


Portanto, viver no Dia da Expiação antitípico não significa viver aterrorizado. Significa viver com seriedade espiritual. A postura apropriada inclui:

confissão sincera;

abandono consciente do pecado;

oração;

humildade;

reconciliação;

vigilância;

dependência da graça de Cristo.


A questão não é: “Sou suficientemente perfeito para enfrentar o juízo?” A questão é “Estou permitindo que Cristo trate aquilo que Seu Espírito revela em minha vida?”


A aflição da alma não é desespero. É arrependimento profundo na presença de um Sumo Sacerdote misericordioso.


O juízo é individual

Ellen White enfatiza que a obra é profundamente pessoal. Não somos julgados como uma massa indiferenciada.


Cada caso é considerado individualmente.

“A obra de preparação é uma obra individual. Não somos salvos em grupos.”


Deus examina cada pessoa com um escrutínio tão pessoal como se não existisse outro ser humano na Terra.


Isso torna o Dia da Expiação ao mesmo tempo solene e ministerial. Solene, porque nenhuma aparência religiosa substitui uma relação genuína com Cristo. Ministerial, porque cada pessoa possui acesso direto ao Sacerdócio de Cristo.


O cristão não comparece sozinho diante do tribunal. Jesus está ali. 


Cristo não procura motivos para condenar, mas representa o arrependido


Esse ponto precisa ser enfatizado. O juízo investigativo não deve ser imaginado como Jesus tentando convencer um Pai relutante a não condenar seres humanos.


Pai e Filho estão unidos no propósito de salvar.


Cristo aparece como advogado porque Sua obra demonstra a legitimidade da salvação do arrependido. Ele apresenta: Seu sangue; Sua justiça; Sua morte; Sua vida perfeita; Sua mediação.


Portanto, o fundamento da absolvição não é:

“Eu nunca pequei.” É: “Eu confiei no perdão e na justiça de Cristo.”


O crente não enfrenta o juízo fundamentado em sua própria justiça, mas na justiça daquele que o representa.


O apagamento definitivo do pecado


Quando um caso é decidido favoravelmente, os pecados arrependidos, confessados e perdoados não permanecem eternamente no registro como acusação contra o salvo.


Eles são apagados. Essa é a contraparte celestial da purificação do santuário em Levítico 16.


No tipo, ao final do serviço, os pecados eram removidos do santuário e colocados sobre o bode emissário.


No antítipo, segundo Ellen White, depois de concluída a obra de Cristo, a responsabilidade final pelos pecados dos redimidos será colocada sobre Satanás, “o originador e instigador do pecado”. 


Isso não significa que Satanás realiza expiação. Somente Cristo expia o pecado mediante Seu sangue.


O bode emissário representa a responsabilidade final do instigador do pecado e sua eliminação do universo.


Assim, Levítico 16 termina não apenas com perdão, mas com remoção do pecado do acampamento. Nos nossos dias, a remoção do pecado da igreja.


Da mesma maneira, o plano da salvação termina não apenas com pecadores perdoados, mas com um universo finalmente livre do pecado.


O último caso será decidido


A obra não continuará indefinidamente. Segundo o livro O Grande Conflito, chegará o momento em que o último caso terá sido examinado. Então o juízo investigativo terminará.


Ellen White declara:

“Quando se encerrar a obra do juízo de investigação, o destino de todos terá sido decidido.”

Ela acrescenta que isso acontece pouco antes da manifestação de Cristo nas nuvens.


Apocalipse 22:11 expressa essa condição final “Quem é injusto faça injustiça ainda… e quem é santo seja santificado ainda.”


Essa declaração indica que as decisões se tornaram irreversíveis.


Não porque Deus tenha arbitrariamente decidido impedir alguém de arrepender-se, mas porque cada ser humano terá finalmente consolidado sua resposta à graça divina.


A porta da graça se fecha porque a obra mediadora chegou ao seu término.


Jesus então encerra Seu ministério sacerdotal


No Dia da Expiação terrestre, o sumo sacerdote não permanecia para sempre no Lugar Santíssimo. Ele terminava a obra e saía para o povo. Esse movimento possui enorme significado cristológico.


O livro de Hebreus diz: “Cristo… aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que O aguardam para a salvação” (Hb 9:28).


Ellen White estabelece diretamente o paralelo:

“No culto típico, o sumo sacerdote, havendo feito expiação por Israel, saía e abençoava a congregação.”

Da mesma maneira, Cristo, “no final de Sua obra de mediador”, aparecerá para conceder vida eterna aos que O aguardam. 


A sequência final é, portanto: último caso decidido → juízo investigativo encerrado → tempo da graça encerrado → ministério intercessório concluído → sentença final pronunciada → Cristo deixa o santuário → retorna à Terra → ressurreição e glorificação dos salvos.


Apocalipse 22:12 conecta precisamente o fim do juízo à Segunda Vinda:


“Eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras.” Cristo retorna com o prêmio porque os casos já foram decididos.


O que Jesus está fazendo hoje?


Assim, dentro da tipologia de Levítico 16 e da interpretação apresentada no capítulo 28 de O Grande Conflito, podemos responder diretamente:


Hoje Jesus está diante do Pai no santuário celestial como nosso Sumo Sacerdote, Mediador e Advogado.


Ele aplica os méritos de Seu sacrifício. Ele perdoa o pecador que se arrepende. Justifica aquele que confia em Sua justiça. Concede graça para santificação. Representa o arrependido diante do tribunal celestial. Examina-se o registro da vida.


Os pecados confessados e perdoados são apagados na conclusão favorável do caso. Os nomes daqueles que permanecem em Cristo são confirmados no livro da vida.


E essa obra caminha para um momento final em que o último caso será decidido. Enquanto isso acontece no Céu, a pergunta correspondente na Terra não deveria ser apenas: “Em que etapa está o juízo?” Mas: “O que Cristo está procurando realizar em mim enquanto ministra por mim?”


O Dia da Expiação possui dois movimentos simultâneos:

no Céu — Cristo purifica o santuário e conduz o juízo;

na Terra — Cristo purifica um povo que se arrepende, confia, abandona o pecado e permanece nEle.


É por isso que Ellen White conclui essa seção de maneira tão solene:

“O juízo ora se realiza no santuário celestial.”

E, diante dessa realidade, sua orientação não é especular sobre qual nome está sendo examinado, mas: “Vigiai e orai.”


O objetivo final do ministério de Cristo não é apenas apagar registros. É apagar o próprio pecado da experiência de Seu povo e, finalmente, do universo.


Quando essa obra estiver concluída, o Sumo Sacerdote sairá do santuário.


E aquele que hoje aparece diante do Pai por nós (Hb 9:24) aparecerá então diante de nós para salvação (Hb 9:28).


A distinção teológica central é esta: perdão ocorre quando o pecador se arrepende e confessa; apagamento é a remoção judicial definitiva dos pecados perdoados no contexto do juízo. Isso evita a impressão de que o cristão permanece sem perdão até seu caso ser examinado no tribunal celestial.