OS SETE SOLAS DA REFORMA CONTINUADA

A Reforma Protestante do século 16 levantou cinco princípios para libertar a fé cristã da tradição da Igreja Romana. No entanto a reforma não terminou.

O movimento Adventista do século 19 trouxe a compreensão de mais dois princípios para a reforma protestante.

Essa reforma adventista conserva os 5 princípios anteriores e amplia com a compreensão de mais dois princípios bíblicos, completando a restauração da verdade:

Os Solas Clássicos           

1. Sola Scriptura — Somente a Escritura               

2. Sola Fide — Somente a Fé

3. Sola Gratia — Somente a Graça          

4. Solus Christus — Somente Cristo        

5. Soli Deo Gloria — Glória Somente a Deus       

Os Solas Restaurados

6. Sola Creator — Somente o Criador

7. Sola Intercessio Christi — Somente a Intercessão de Cristo

6º Sola –  Sola Creator — Somente o Criador

O princípio Soli Deo Gloria exalta a glória exclusiva de Deus; porém, o apelo final do Apocalipse amplia esse conceito, conclamando à adoração “Daquele que fez o céu, e a terra, e o mar”(Apocalipse 14:7).

A reforma continuada deve restaurar a adoração ao Criador e o memorial de Sua criação — o sábado: 

“O sábado é o grande teste da lealdade, pois é o ponto especial de verdade que é posto em controvérsia. […] Ao observarem o sábado, os filhos de Deus distinguem-se como leais a Ele.”— O Grande Conflito, p. 605

 “No sábado, Deus deseja que se adore Aquele que é o Criador do céu e da Terra. […] O sábado será o grande ponto de controvérsia no conflito final entre a verdade e o erro.” — Eventos Finais, p. 146

 A obediência ao quarto mandamento, longe de ser legalismo, é um reconhecimento da soberania divina — “somente o Criador” é digno de adoração. Assim, a adoração ao Criador no sábado se torna o emblema do primeiro novo “Sola”.

 Esse princípio também restaura a Lei de Deus, base do governo celestial.

 “A lei de Deus é tão sagrada como o próprio Deus. […] É a expressão do Seu caráter.” — O Grande Conflito, p. 434

 Aqueles que continuam a Reforma devem, portanto, não apenas defender a Bíblia como única regra de fé, mas também viver segundo os princípios imutáveis da lei divina, incluindo o quarto mandamento.

 Além disso, a adoração ao Criador implica reconhecer o corpo humano como templo de Deus. A reforma de saúde, ensinada por Ellen White, é parte inseparável desse princípio:

 “A reforma de saúde é uma parte da grande obra que deve preparar um povo para a vinda do Senhor. […] A temperança em todas as coisas é essencial à santificação do espírito, da alma e do corpo.” — Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 69

 Portanto, “Somente o Criador” sintetiza três pilares da fé adventista e da Reforma continuada:

A adoração ao Criador no sábado (Gn 2:1-3)

A validade eterna da Lei de Deus (Mt 5:17)

Neste último se inclui a reforma de saúde, como leis de saúde, que referenciam a criação divina do ser humano (Gn 1:29).

O Protesto

Esse sexto princípio da reforma é um protesto contra a ação da igreja romana em mudar a Lei de Deus. O catecismo romano ensina que o Decálogo de Êxodo 20 não possui o mandamento sobre imagens (Ex 20:4-6). Na tradição católica romana esse mandamento que proíbe fazer imagens e da culto a elas, foi retirado no catecismo e na teologia católica. É uma grave alteração da Palavra de Deus, desprezando a Lei escrita com o próprio Dedo de Deus (Ex 31:18).

 Outra mudança foi do texto do 4º mandamento (Ex 20:8-11) que o texto dizia – “Lembra-te do sábado para o santificar”. O catecismo católico traz o registro de que foi mudado esse mandamento para “Guardar domingo e festas”. Essa é outra grave alteração da Palavra de Deus e de Sua Lei.

 O acréscimo do princípio Sola Creator restaura a autoridade de Deus através de Sua Lei, restaurando não somente o mandamento do sábado, mas o mandamento de imagens.

 Assim é imprescindível que a reforma seja continuada nesse novo acréscimo.

7º Sola –  “Somente a Intercessão de Cristo” 

O princípio original Solus Christus proclamava que só Cristo é o mediador da salvação. A reforma restaurada amplia esse conceito, mostrando que Cristo não apenas morreu por nós, mas também vive para interceder em nosso favor no santuário celestial.

É essa verdade central no adventismo; a mais importante e primeira revelação dada aos crentes reformadores do século XIX.

“Cristo entrou no próprio Céu, a fim de comparecer agora por nós na presença de Deus. […] Ele está ministrando no santuário celestial em nosso favor, apresentando o Seu sangue diante do Pai.”— O Grande Conflito, p. 420

A doutrina do santuário celestial é a espinha dorsal do segundo novo “Sola”. Nela, Cristo é o único sacerdote e mediador entre Deus e o homem — uma reafirmação e expansão do Solus Christus.

“Assim como no serviço típico havia um juízo investigativo no fim do ano, assim antes da vinda de Cristo há um juízo investigativo no Céu. […] Ele é o Sumo Sacerdote que ministra diante de Deus em favor de Seu povo.” — O Grande Conflito, p. 486-487

O juízo investigativo, iniciado em 1844, marca o início da fase final do ministério de Cristo. É a continuação lógica do princípio reformador: não somente Cristo salva, mas Ele purifica o santuário e vindica a justiça divina.

“Quando Cristo cessar Sua intercessão no santuário celestial, o destino de cada pessoa estará decidido.” — O Grande Conflito, p. 490

Portanto, “Somente a Intercessão de Cristo” destaca:

 A crença em um santuário celestial literal (Hb 8:1,2)

O ministério sacerdotal contínuo de Cristo (Hb 4:14-16)

O juízo investigativo como parte do plano da salvação (Dn 7:9,10).

Assim, o adventismo não acrescenta uma nova mediação, mas expande a compreensão do único mediador — Cristo — em toda a plenitude de Seu ministério.

O Protesto

A igreja romana estabeleceu Maria como a intercessora dos crentes romanos, substituindo a figura eterna de Jesus por uma heresia descomunal. Isso caracteriza sim, essa igreja romana como seita, por tirar os fundamentos da fé cristã – a intercessão de Cristo Jesus.

A verdade restaurada de que é Jesus que está hoje ouvindo as orações e perdoando os pecados, e isso no Santuário Celetial como nosso Sumo Sacerdote (Hb 4:14-16 e 8:2)  é uma denuncia a heresia de uma intercessora.

 A Bíblia declara fundamentalmente – “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” 1 Timóteo 2:5. Assim a doutrina sobre Maria ser intercessora entre Deus e a humanidade, é uma heresia descabida, o que categoricamente faz dessa igreja uma seita desde seus primórdios.

 Conclusão

A continuidade da reforma nos garante a restauração de verdades fundamentais da Palavra de Deus. Os princípios de “Somente o Criador” e “Somente a Intercessão de Cristo” são um desenvolvimento da 2ª e 3ª Mensagens Angelicas que são denuncias de uma falsa adoração e de uma falsa mediadora.

A mesma oposição que a Reforma Protestante enfrentou no século 16, hoje os novos princípios e novos reformadores enfrentarão idêntica oposição e perseguição. Mas a história dos primeiros reformadores nos inspiram a continuar e perseverar em restaurar as verdades bíblicas fundamentais.

Que nossa confissão seja “Soli Deo Gloria”.

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