SETE FASES DA EXISTÊNCIA DE JESUS

São sete fases que nosso Senhor Jesus vivenciou e ainda vivencia na existência da raça humana: Criador, Arcanjo, Encarnação, Vida, Morte, Ressurreição e Ministério Celestial.

 O Deus Filho como Criador

A nomenclatura de “Filho” atribuída a um dos membros da Divindade é uma parábola para entendermos o sacrifício que Deus se submeteu para demonstrar o Seu amor à raça humana caída e rebelde – “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” João 3:16.

 A Divindade, os Três Seres supremos e gloriosos, que conhecemos como Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito, são uma unidade espiritual Divina, que se manifesta no que nos foi revelado como El Olam (Gn 21:23; Is 40:28) o Deus Eterno.

 Dentre o seres Divinos, o Deus Filho participou como Criador não só do Universo mas de nosso planeta e da raça humana terráquea. O Deus Filho é o criador, assim como o Pai e o Deus Espírito.

 Também foi o Deus Filho que se voluntariou a vir e assumir a natureza das suas criaturas, para se revelar a si mesmo, e revelar ao Pai e ao Consolador. Jesus afirmou – “E quem me vê a mim vê aquele que me enviou” “João 12:45.

 Deus Filho como Arcanjo

Deus amou não mente o mundo terreno (João 3:16), mas o mundo espiritual dos anjos. A eles também se revelou primeiro e os encaminhou para a mesma salvação que os humanos precisavam.

 A “angelicação” do Deus Filho é o equivalente da encarnação para os humanos. Deus Filho se tornou um dos anjos para se revelar a eles e os salvar da mesma forma. Foi na camunidade angélica que surgiu o pecado (Ez 28:14,15) e era no meio destes que o Salvador deveria se manifestar e se revelar a eles.

 A Bíblia fala do Arcanjo Miguel (Josué 5:13–15; Daniel 10:13; Daniel 10:21; Daniel 12:1; João 5:25–29; João 11:43–44; 1 Tessalonicenses 4:16; Judas 1:9; Apocalipse 12:7; Apocalipse 19:11–16) são 10 textos onde Miguel é revelado como único Arcanjo; não há outro Arcanjo a não ser Aquele que é identificado como Miguel.

 O Arcanjo, é uma designação de Jesus Cristo em Sua função de Comandante dos exércitos celestiais, e não um anjo criado. O próprio significado do nome Miguel revela esse fato. No hebraico: מִיכָאֵל (Mîkhā’ēl), significa “Quem é como Deus?”. O nome expressa a incomparabilidade de Deus e está relacionado ao conflito entre Cristo e Satanás.

 No grego: ἀρχάγγελος (archángelos), formado por archē (autoridade, primazia) e ángelos (mensageiro) significa “anjo principal” ou “chefe dos anjos”, é um título de autoridade, não uma indicação de que Cristo seja um ser criado.

 As principais evidências de que Miguel é um Ser Divino são os textos:

- Daniel 10:13, 21: Miguel é apresentado como príncipe celestial e defensor do povo de Deus.

- Daniel 12:1: Miguel Se levanta para libertar Seu povo no tempo de angústia.

- Judas 9: Miguel é identificado como o Arcanjo.

- 1 Tessalonicenses 4:16: Cristo retorna com voz de arcanjo, como evidência de Sua identidade com Miguel.

- Apocalipse 12:7–9: Miguel lidera os anjos na batalha contra Satanás, função atribuída a Cristo no grande conflito.

 Miguel não é outro ser distinto de Jesus, mas um título de Cristo que destaca Sua autoridade e liderança sobre os anjos. Assim Jesus é eternamente Deus, não foi criado e não pertence à ordem dos seres angelicais (Jo 1:1–3; Cl 1:16–17). Após Sua encarnação, a natureza angélica de Jesus foi combinada; assim como após Sua ressurreição sua natureza humana se tornou hibrida (espiritual-humana). Assim Ele permanece Divino-Humano, espírito e físico.

 A identificação de Miguel com Cristo é uma conclusão construída pela comparação desses textos, e não uma afirmação explícita de um único versículo. Miguel assim, é o nome associado a Cristo como Príncipe celestial; Arcanjo é o título que destaca Sua supremacia sobre os exércitos angelicais.

 A Encarnação do Deus Filho

As Escrituras revelam que – “mesmo existindo na forma de Deus, [O Deus Filho] não considerou o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo. Pelo contrário, ele se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos seres humanos. E, reconhecido em figura humana, ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” Filipenses 2:6-8.

 Assim a encarnação foi a segunda experiência de “humilhação” que Deus se permitiu por amor às Suas criaturas. Jesus se tornou Arcanjo para se revelar aos anjos; e se tornou humano para se revelar a nós seres humanos.

 As Escrituras revelam – “Jesus foi feito semelhante aos irmãos e sofreu tentações, permanecendo o misericordioso e fiel...” Hb 2:17,18. “Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna” Hb 5:8–9.

 Se tornando um de nós, Jesus tinha dois grandes objetivos no Plano da Salvação – se tornar um ser humano obediente e ser nosso substituto, morrendo em nosso lugar.

 A vida Perfeita e Obediente do Deus Filho

Jesus viveu durante 30 anos uma vida perfeita, sem pecado, e obediente para que os humanos fossem beneficiados com Sua justiça.

 A Bíblia revela que “Ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” Hb 4:15; viveu como “santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores” Hb 7:26; “Cristo [...] a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus” Hb 9:14; “não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca” 1Pd 2:22; ofereceu como “seu precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” 1Pd 1:18,19; era “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós” 2Co 5:21. E o grande plano foi que “Ele se manifestou para tirar os pecados, e nele não existe pecado” 1Jo 3:5; Ele mesmo afirmou “Quem dentre vós me convence de pecado?” João 8:46, admitindo Sua natureza Divina.

Esses textos estabelecem diretamente a impecabilidade de Cristo, isto é, que Ele não cometeu pecado. A impecabilidade, entendida tecnicamente como a escolha de Cristo não pecar, é uma garantia de Justiça aos humanos.

 A partir dessa impecabilidade e da Sua obediência perfeita é revelado que – “por meio da obediência de um só [Deus Filho], muitos se tornarão justos” Romanos 5:19. Esse é o processo pelo qual Deus declara os seres humanos justos. Nós não possuímos atos justos, pois nossa natureza pecaminosa nos impede disso. Assim Deus nos declara justos, ao confiarmos no perdão oferecido por Cristo.

 Assim somos “justificados mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo” Romanos 5:1. A “paz com Deus” aqui indicada é porque fomos declarados justos e não somos mais pecadores, e inimigos de Deus. Fomo aceitos pelo Pai, por causa da obediência de Jesus e da Sua vida sem pecado. Jesus nos concede Sua vida perfeita e Sua justiça.

 Mas o Deus Espírito não nos deixa apenas como justos “declarados”, Ele nos transforma em pessoas justas, inserindo em nós as Suas virtudes (Gl 5:22,23). Assim além da justificação, nós humanos experienciamos a santificação.

 Todas essas experiências são possíveis porque Jesus viveu uma vida santa em nosso favor.

 A Morte Substituinte do Deus Filho

A humanidade de Cristo ainda tinha o objetivo de que Ele fosse o nosso substituto na sentença da morte eterna. O eterno mandamento da Lei de Deus – “Certamente morrerás” Gn 2:7 – tinha essa sentença que Jesus assumiu em nosso lugar. No dia em que Adão e Eva, os primeiros humanos deveriam morrer, Jesus assumiu em promessa morrer no lugar dos humanos ao oferecer a simbologia, e o ritual estabelecido da morte dos cordeiros (Gn 3:21).

 Assim Jesus, o Cordeiro de Deus (Jo 1:29 e 36) se encarnou para morrer no lugar dos humanos, como os rituais cerimoniais ensinarão durante mais de mil anos. E o NT ensina que – “não pelo sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue... pelo Espírito eterno, a si mesmo ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!” Hb 9:12, 14.

 O evangelho explica – “sabendo isto: que a nossa velha natureza foi crucificada com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sejamos mais escravos do pecado. Pois quem morreu está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele.

 O evangelho ainda nos fala do amor envolvido – “Deus amou ... de tal maneira, que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crer, não pereça mas tenha a vida eterna” Jo 3:16.

 A Ressurreição do Deus Filho

As Escrituras revelam a relação da ressurreição de Jesus com nossa experiência hoje – “como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós andemos em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição... Sabemos que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.  Assim também vocês considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus” Romanos 6:4,5, 9,11.

 A morte de Jesus é a garantia da morte da velha natureza humana de pecado. E a ressurreição de Jesus é a certeza que viveremos para Deus em “novidade de vida”. O poder da ressurreição de Jesus, se manifesta na transformação dos crentes em santidade; e mais tarde na glorificação final desses mesmos crentes em incorruptibilidade (1Co 15:51).

O Ministério de Jesus no Céu

A última etapa do trabalho de Jesus no Plano Salvação é Seu serviço celestial no santuário do céu – “temos tal sumo sacerdote, que se assentou à direita do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo” Hebreus 8:1,2.

A última etapa do esforço do Deus filho em salvar a humanidade, consiste em aplicar tudo que Ele conquistou, em ajudar os humanos em os tornar justos e santos.

 As Escrituras descrevem assim esse trabalho de Jesus – “Tendo, pois, Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que adentrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão.

Porque temos [um] sumo sacerdote que [pode] se compadecer das nossas fraquezas... Ele foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Portanto, aproximemo-nos do trono da graça com confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça para ajuda em momento oportuno” Hebreus 4:14-16.

 Jesus pode nos ajudar em nossas fraquezas e pode nos socorrer para nossa salvação.

 Conclusão

A cruz não é o único esforço que Jesus fez para nos salvar.

O Evangelho eterno nos revela que antes da cruz houve a criação, a humilhação em se tornar um Anjo (que lutou em nosso favor), houve a encarnação, e somente aí a morte de cruz.

 Mas o esforço titânico de Jesus continuou ao ressuscitar e trazer experiências grandiosas aos crentes; e mais ainda ao exercer Seu ministério no céu, nos levando gradualmente a justificação e santificação.

 "Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória e o louvor. Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro sejam o louvor, a honra, a glória e o domínio para todo o sempre" Ap 5:12,13

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