COMEMORAR O NATAL É PECADO?


Há tantas desilusões em torno do natal; as crianças logo cedo acabam sabendo que Papai Noel não existe, a data do natal não é esta, pinheiros de natal enfeitados não existiam na cidade de Belém que Jesus nasceu, enfim o que há de verdade nessa história?

A história é verdadeira - Jesus, o Deus encarnado nasceu 'no natal'; embora não saibamos a data correta, o nosso costume ocidental é homenagear os aniversariantes. Isso é um costume, uma tradição e não há mal nisso.

Não existe paganismo na comemoração do natal; lembre-se que você não descende de judeus ou hebreus e você tecnicamente é um pagão convertido ao cristianismo. Muito, muito mesmo, do que você faz são hábitos pagãos e provavelmente boa parte estão contra a Lei de Deus.

Se fôssemos excluir a festividade do Natal por seus elementos 'pagãos', teríamos de mudar muito sobre nossa rotina eclesiástica também.

Para começar não iríamos comemorar aniversários. O hábito de comemorar nascimentos era um costume romano; os judeus não comemoravam os aniversários. Na Bíblia encontramos isso entre os egípcios e os romanos - principalmente os imperadores. Eles tinham um status 'divino' e seu nascimento era deificado com as comemorações e feriados.

O único aniversário mencionado na Bíblia [Mc 6.21] é de Herodes, um judeu-romano, com hábitos ocidentais.

Quando a religião de Jesus se instalou no império romano, não só o evangelho de Jesus mas sua figura também ganhou o status que o imperador exigia para si. Assim o próprio Jesus passou a ganhar um dia comemorativo para seu nascimento. E isso foi muito bom para a divulgação do cristianismo.

Isso é uma tradição da igreja, tanto a data como o evento de comemorar o nascimento, mas não é pecado. A igreja cristã está repleta de tradições em todos os segmentos - protestante, ortodoxo, romano, pentecostal etc.

Não seja rápido em condenar essas tradições, porque senão você vai excluir coisas que você jamais imaginava.

Uma delas é a conclusão da oração do 'Pai Nosso' - "porque Teu é o reino, o Poder, e a Glória, para sempre. Amém". Essa conclusão é uma tradição inserida na oração que Jesus ensinou. Mas Jesus nunca proferiu essa última parte. Nós os cristãos protestantes a pronunciamos por mera tradição.

"De acordo com os críticos, a doxologia final não faz parte da oração original, mas aponta para uma forma litúrgica usada já no Antigo Testamento, dando como exemplo de 1Cr. 29.11. Dizem que este tipo de doxologia era constantemente usado nas orações dos judeus, principalmente nas orações feitas em publico. Alem de a doxologia do Pai Nosso não se encontrar na grande maioria dos textos antigos, muitos dos pais antigos, nos seus comentários não a conhecem, o que vem demonstrar que para eles esta conclusão não fazia parte do texto original". L.C.S. Filho

Há outras resoluções da igreja que são agregadas a teologia protestante e que são naturais a compreensão teológica da igreja.

O Cânon atual das Escrituras Sagradas foi uma resolução do Concílio de Trento, nos anos de 1545-48, e promulgou os decretos sobre o cânon sagrado para a Igreja Católica Romana reafirmando o Cânon do Novo Testamento também com os 27 livros que temos hoje. Esse cânon foi definido na igreja em sua fase papal e quando a igreja mais tinha se afastado dos ideais do evangelho.

A atual Ceia do Senhor que a maioria dos protestantes segue é bem diferente da que os discípulos realizavam, e que o próprio Jesus executou na véspera da sua morte. A ceia original constava de um só cálice compartilhado por todos na mesa. O fato de termos vários cálices individualizados não descaracteriza, nem tira a santidade da cerimônia.

Há vários elementos que se constituem de tradição, adaptações ou inserções na cultura cristã pós-moderna. Nenhuma delas (em sua igreja) talvez se constitua em heresia.

A cultura da igreja cristã pode ser dividida em cristã judaica e cristã romana. E muito do que temos hoje na cultura cristã atual é uma diversidade saudável. E a compreensão de tudo isso é fruto do trabalho da teologia.

O Natal como os cristãos o comemoram hoje é o resultado de ambas as culturas - cristã judaica e ocidental. Elementos de ambas vertentes estão unidas e resultam na comemoração que temos hoje. Ainda outras influências ocidentais estão presentes:
-o formato dos cultos
-mulheres no mesmo ambiente de culto que os homens
-mulheres pregando
-o estilo de roupa
-corte de cabelo, barba e uso de maquiagem
-etc.

A igreja cristã pós-moderna com sabedoria deve se aproveitar de todos os elementos para atrair pessoas ao Salvador.

A primeira vinda de Jesus foi uma noite de anunciação feitas por pastores de ovelhas e os magos - eles anunciaram em Belém e Jerusalém a primeira vinda.

A nós hoje é dado o legado deste dois grupos de indivíduos - os magos pagãos representado o mundo pós-moderno de hoje, que movidos pelo 'sinal da estrela' anunciaram o nascimento de Jesus; e o grupo de pastores de ovelhas, representado os crentes, que da mesma forma devem anunciar a noite natalícia.

Certa vez [Mc 9.38-40] os discípulos proibiram um homem de fazer os mesmos milagres de Jesus em Seu nome, e Jesus os reprovou dizendo - "quem não é contra nós, é por nós". Não trabalhe contra os designios de Deus na pós-modernidade; o Natal é o maior meio de anunciação de Jesus ao mundo na atualidade.

O Natal é um dia de anunciação, assim como os magos, pastores e anjos anunciaram a Jesus. Anuncie também a Jesus neste Natal.

A igreja cristão como é hoje é uma fusão dos princípios morais e dos ensinos evangélicos de Jesus, com a cultura de cada povo. E no ocidente o Natal é uma das festas culturais que carregam grande significado para os crentes.

Cristãos que deixam de comemorar o natal, mas comemoram o próprio aniversário cometem um erro duplo. Não há pecado em comemorar o natal; há pecado em omitir ao mundo anunciar que um dia Jesus Cristo nasceu.

Um Feliz Natal e Boas Festas.

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