A JUSTIÇA DE CRISTO

O que significa “nos revestir da justiça de Cristo?

A Justiça de Cristo está relacionada com aquilo que Jesus fez quando estava aqui na terra e viveu entre nós. Jesus viveu uma vida sem pecado e teve uma obediência perfeita à Lei de Deus – isso é a Justiça de Jesus, os mérito de Jesus.

O evangelho explica que “por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos” Romanos 5:19. A vida sem pecado de Jesus e sua obediência perfeita é concedida aos seres humanos que creem Nele. Isso representa a Justiça de Jesus, que é dada aos crentes.

Esse processo é chamado de “Justificação Pela Fé”. É um processo em que Deus primeiro declara os pecadores arrependidos em “justos”; e depois passa a comunicar “justiça” a esses crentes.

O que significa isso na prática?

Quando confessamos os nossos pecados, e pedimos arrependimento, mudança, Jesus ao ver a sinceridade dessa experiência, Ele apaga nossos pecados do registro celestial (Isaías 43:25 – “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim e dos teus pecados não me lembro.”).

 Nesse momento, somos declarados justos no grande tribunal celestial, onde Jesus é nosso Advogado (1João 2:1,2; Dn 7:9,10). Nos livros celestiais, os pecados são apagados, e é escrito ali “justificado”. É uma declaração de justiça, fomos declarados justos perante o Juiz Celestial que é o Pai (Ap 20:11,12).

Mas Jesus não apenas nos “declara justos”, Ele começa um segundo momento dessa experiência da “justificação pela fé” que é a “comunicação de justiça”. Através do Espírito Santo, a pessoa que crê em Jesus, começa a receber virtudes, os “frutos do Espírito” (Gl 5:22,23). Ainda poque o crente crê em Jesus e confia no seu Salvador, o Deus Espírito começa a inserir essas virtudes no caráter do crente.

Esse processo é levado avante na vida do cristão enquanto ele se mantem afastado da prática do pecado; pedindo o verdadeiro arrependimento, e olhando para Cristo (Hb 12:2). O “olhar para Cristo” envolve viver a vida que Cristo viveu; praticar as mesmas obras que Jesus fez e ser obediente como Jesus foi aos mandamentos. Jesus mesmo diz – “Se vocês me amam, guardarão os meus mandamentos” João 14:15.

Assim os que creem em Jesus, passam a ter uma vida obediente à Lei de Deus, observando seus mandamentos, mas como resultado da ação do Espírito Santo em nossa vida. A obediência é uma virtude que o Espírito Santo nos dá. É a justiça comunicada ao crente.

Dessa forma o “caráter de Cristo” vai sendo reproduzido nos crentes. Esse caráter que o Espírito Santo reproduz em nós, é representado como “vestes de justiça”. Essa “veste de justiça” foi representada quando Adão e Eva receberam vestes de pele de cordeiro no Éden (Gn 3:21). Também foi ilustrada na experiência do sacerdote Josué, quando suas roupas sujas, foram trocada por roupas limpas (Zc 3:3-5). Foi belamente exemplificada também na parábola do filho pródigo, quando o pai da parábola veste seu filho com as melhores roupas (Lc 15:22). Outra parábola ensina esse processo da justificação pela fé, descrevendo uma festa de casamento onde um rei dá aos seus convidados roupas nupciais novas e belas para que entrem na festa das núpcias do seu filho (Mt 22:11,12). Em todas essas parábolas e histórias, as vestes são concedidas gratuitamente. Ou seja, a “justiça de Cristo” é dada de graça aos pecadores.

Como fazemos isso no cotidiano doa dia-a-dia?

Receber essas “vestes” ou a “justiça de Cristo” significa permitir que as virtudes do Espírito Santo, ou os frutos do Espírito, sejam inseridas em meu caráter. Isso envolve transformação diária.

Na parábola das “vestes nupciais” (Mt 22:11,12) um homem está no salão de festas (igreja) sem as roupas que eram oferecidas de graça. Isso significa que há a possibilidade de uma pessoa estar na igreja, na experiência cristã, mas se negar a receber a “justiça de Cristo. Isso pode parecer inimaginável, mas quando rejeitamos ser transformados, negamos as vestes nupciais; negamos a “justiça de Cristo”; negamos as virtudes do Espírito Santo; não aceitamos ser transformados.

Porque alguém se negaria ser transformado? Por que nós nos apegamos aos prazeres do pecado. Outros se negam mudar seu temperamento. Há ainda aqueles que amam os hábitos e costumes, práticas desse mundo. Há pessoas, mesmo que supostamente se acham cristãos, que se negam obedecer aos mandamentos de Deus. Outros se negam obedecer um mandamento, ou alguns deles. Todas essas experiências envolvem o ato de ‘negar a justiça de Cristo’ ou não estar recebendo as virtudes do Espírito Santo. Essas pessoas por suas atitudes, não creem de verdade em Cristo, e assim não passam pela experiência da santificação.

A santificação é a experiência de estar se permitindo ser mudado ou transformado pelo Espírito Santo. Onde o caráter falho é substituído gradativamente, por um caráter cada vez mais semelhante ao de Cristo. Por isso o apóstolo Paulo diz – “Cristo em vocês, é a esperança da glória” Cl 1:27. O caráter de Cristo reproduzido em nós é a grande esperança cristã.

Mas os que se negam ser transformados novamente à imagem e semelhança de Cristo, ou de Deus, não estão sendo justificados pela fé, e não estão passando pela experiência da santificação.

O que a justiça de Cristo não faz?

“A justiça de Cristo não é uma capa para encobrir pecados não confessados e não abandonados; é um princípio de vida que transforma o caráter e guia a conduta” DTN 441.

A experiência da justificação pela fé não admite permanecer no pecado. A justiça de Jesus não é concedida quando a pessoa está na prática de pecados ocultos ou públicos. A experiencia da justificação irá transformar o caráter da pessoa, irá dar o verdadeiro arrependimento e mudar os hábitos e costumes, levando ao estilo de vida bíblico e na conformidade com os Conselhos da Testemunha Verdadeira, no Espírito de Profecia.

Em toda a Escritura, Deus demonstra disposição para perdoar pecadores arrependidos, mas nunca apresenta Sua graça como justificativa para a permanência no pecado. O perdão é acompanhado por uma mudança de direção. Quando o pecado é preservado, acariciado ou racionalizado, ele continua produzindo seus frutos destrutivos.

Caim não confessou nem abandonou o espírito de inveja e ressentimento contra seu irmão. Mesmo após Deus adverti-lo de que o pecado estava à porta, ele alimentou sua hostilidade até que esta se transformou em assassinato. O homicídio foi apenas a manifestação visível de uma rebelião interior cultivada durante muito tempo.

Faraó não abandonou o orgulho. Repetidamente prometeu obedecer a Deus durante as pragas, mas voltava atrás assim que a pressão diminuía. Seu arrependimento era circunstancial, não transformador. O coração permanecia o mesmo.

Acã não confessou nem abandonou a cobiça pelos bens proibidos de Jericó. Primeiro viu, depois desejou, tomou e escondeu. Mesmo quando Israel sofreu derrota na cidade de Ai, ele permaneceu em silêncio até ser confrontado. O pecado oculto tornou-se uma tragédia para toda sua família.

Sansão não abandonou sua atração por relacionamentos com prostitutas que Deus havia condenado como pecado. Embora fosse escolhido para uma missão especial desde o nascimento, repetidamente ignorou os limites estabelecidos por Deus. Sua queda não ocorreu em um único dia; foi o resultado de escolhas persistentes que nunca foram verdadeiramente abandonadas.

Balaão não abandonou o amor ao lucro e às recompensas materiais. Embora conhecesse a vontade de Deus e até anunciasse profecias verdadeiras, continuou buscando maneiras de obter os benefícios prometidos por Balaque. Sua história mostra que conhecimento espiritual não substitui a transformação do caráter.

Saul não confessou nem abandonou sua independência da vontade de Deus. Desde a desobediência em Gilgal até a preservação do rei Agague e dos melhores animais dos amalequitas, Saul procurou justificar suas escolhas em vez de reconhecê-las plenamente. O mesmo rei que expulsou os médiuns de Israel acabou recorrendo à necromancia em En-Dor. Sua história mostra que pecados não abandonados tendem a reaparecer sob novas formas.

O rei Acabe não abandonou sua submissão pecaminosa à influência de Jezabel. Em vários momentos demonstrou remorso superficial, mas nunca rompeu decisivamente com a idolatria e a injustiça que dominavam seu reino. Seu arrependimento ocasional não foi acompanhado por uma reforma permanente.

Herodes Antipas não abandonou seu relacionamento pecaminoso com Herodias. Ele ouvia João Batista com interesse e até certo respeito, mas recusava-se a romper com o pecado que lhe era apontado. A admiração pela verdade não substituiu a obediência à verdade.

O jovem rico não abandonou seu apego às riquezas. Embora desejasse a vida eterna e demonstrasse interesse sincero em Jesus, não estava disposto a entregar aquilo que ocupava o lugar de Deus em seu coração. Seu problema não era a posse dos bens, mas a recusa em renunciar ao ídolo que eles haviam se tornado.

Judas não confessou nem abandonou a prática da cobiça. Os Evangelhos mostram que ele administrava a bolsa do grupo apostólico e retirava dela recursos para si. O roubo não era um incidente isolado, mas um hábito oculto. Quando chegou o momento da crise, a mesma cobiça amadurecida o levou a vender o Mestre por trinta moedas de prata.

Ananias e Safira não confessaram nem abandonaram o amor à aparência religiosa. Desejavam receber o reconhecimento reservado aos verdadeiramente generosos sem realizar o mesmo sacrifício. O pecado deles não foi apenas reter parte do dinheiro, mas cultivar deliberadamente uma vida dupla, buscando prestígio espiritual enquanto escondiam a realidade do coração.

Félix, governador romano, não abandonou sua procrastinação espiritual. Preferiu os prazeres e as riquezas desse mundo. Ao ouvir Paulo falar sobre justiça, domínio próprio e juízo futuro, ficou alarmado, mas adiou sua decisão. Reconheceu a verdade, mas não permitiu que ela transformasse sua vida.

Demas não abandonou seu amor ao mundo. Foi cooperador de Paulo durante algum tempo, mas acabou deixando o ministério porque seu coração permanecia dividido. A atração pelos interesses terrenos revelou-se mais forte do que seu compromisso com Cristo.

Conclusão

Todas essas pessoas eram religiosas, mas não estavam na experiencia da "justificação pela fé" e não receberam a santificação, por permanecerem no pecado e se negarem ser transformados.

A diferença fundamental entre esses dois grupos não está no tamanho dos pecados cometidos, mas na resposta dada ao pecado. A graça de Deus alcança assassinos, adúlteros, ladrões e perseguidores. Entretanto, ela não atua como um disfarce para pecados cultivados conscientemente.

A justiça de Cristo não apenas perdoa; ela transforma. Não apenas cobre o passado; cria um novo futuro. Onde existe verdadeira fé, surge também a disposição de confessar o pecado e abandoná-lo. 

É nesse contexto que a justiça de Cristo deixa de ser apenas uma doutrina e se torna um princípio vivo que molda o caráter, transforma a vida e dirige a conduta diária.


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